PORTUGAL

Road trip: Portugal quer ter sua própria “Rota 66”

Embora seja mais modesta que a lendária “Rota 66”, que tem quase quatro mil quilômetros, a EM2 tem seus encantos.

Foto: EFE/ Salvador Sas

Percorrer Portugal de norte ao sul ao volante por uma única estrada já é possível, mas agora os portugueses querem transformar este trajeto em uma rota turística inspirada na “Rota 66” americana, para promover ainda mais as atrações das diferentes regiões do país.

A via escolhida é a Nacional II, conhecida como EM2, estrada que passa pela espinha dorsal do país ao longo de 739 quilômetros entre Chaves, no extremo norte do país, e Faro, ao sul, e a única que corta o país de ponta a ponta.

Embora seja mais modesta que a lendária “Rota 66”, que tem quase quatro mil quilômetros, a EM2 tem seus encantos.

“É uma via mítica, uma das três estradas no mundo deste tipo, junto com a Rota 40 na Argentina e a ‘Rota 66’ nos Estados Unidos. É uma estrada única com um misticismo diferente e uma excelente oportunidade para que as cidades por onde ela passa”, explicou o promotor do projeto, Luís Machado.

Machado é prefeito de Santa Marta de Penaguião, um dos 32 municípios pelos quais a estrada passa, que incluem cidades mais famosas como Vila Real e Viseu, mas também pequenas aldeias, que se beneficiariam desse estímulo turístico.

Para levar o projeto adiante, foi criada uma associação de municípios, que pretendem encontrar parceiros e financiadores.

“Queremos captar um turismo diferente, em que se coma e beba nas cidades, e assim dar também uma oportunidade aos nossos produtores locais de vender seus produtos e também ao setor de hospedagem”, afirmou Machado.

Vários trechos da EM2 têm origem nas principais calçadas romanas da Lusitânia. No entanto, o projeto de realizar uma grande estrada que percorresse o país de ponta a ponta surgiu durante o regime ditatorial do Estado Novo (1931-1974), e a estrada foi inaugurada em 1945.

Durante muitos anos, a EM2 foi considerada uma das vias mais importantes do país, mas pouco a pouco foi sendo relegada por outras estradas mais rápidas e diretas que diminuíram sua importância econômica.

Luís Machado acredita que a futura rota “será muito movimentada, tanto por turistas portugueses como por estrangeiros” e revelou que grupos de passeios a pé e de bicicleta, de carros clássicos e de turismo religioso já se interessaram pelo projeto.

O objetivo agora é estimular cada município a captar 30 parceiros entre restaurantes, hoteis, produtores locais e associações turísticas que possam contribuir com todas as atrações que existem ao longo do caminho.

“Criaremos um aplicativo móvel para que as pessoas possam ver toda a oferta que há ao longo da rota: onde dormir, onde comer, que produtos podem comprar, os lugares para visitar em cada região. Será uma oferta única no país”, ressaltou Machado.

A rota também pretende criar um passaporte para que os turistas possam colecionar selos das cidades que visitarem.

“A rota é um projeto que, sendo nosso, é de todos os portugueses, e mostrará a cultura de Portugal de norte a sul. Ela vai mudar a vida dos municípios pelos quais passa e valorizar este território para transformá-lo em algo sustentável e rico”, defendeu o prefeito de Santa Marta.

A “Rota 66” à portuguesa criará, segundo Machado, um turismo “de saudade”: quem estiver no volante neste trajeto não poderá evitar sentir nostalgia e não resistirá à tentação de visitar Portugal mais uma vez.

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