DIÁRIO DE VIAGEM

#Parte 3 A Viagem do Rinoceronte: Última parada e recomeço da eurotrip

Ao retornar ao começo da nossa história, recomendamos levar na mala de volta a casa um souvenir imprescindível: o romance “A Viagem do Elefante” do grande escritor português José Saramago.

Praia de Camogli

Última parada

No segundo dia de hospedagem em Camogli decidimos fazer um passeio por Florença. Há duas versões sobre o destino do rinoceronte: alguns dizem que o corpo empalhado do animal foi enviado a Roma e outros que foi enviado a Florença pela dinastia dos Médici, que governava este município.

Como Florença é considerada o berço do Renascimento e uma das cidades mais belas do mundo, decidimos aceitar a segunda versão como verdadeira e terminar nossa viagem passeando pelas praças do Duomo e Signoria, atravessando a ponte Vecchio e visitando a galeria Uffizi, onde está uma das coleções de arte mais importantes do mundo, com obras como “A Anunciação” de Da Vinci, “Baco” de Caravaggio e “O Nascimento de Vênus” de Boticelli. O “David” de Michelangelo, por sua vez, está na galeria da Academia de Belas Artes, mas uma réplica da estátua pode ser vista na praça da Signoria.

Apenas 218 quilômetros separam Camogli de Florença e a visita pode ser feita em um dia. Está proibido entrar de carro no centro histórico, por isso aconselhamos deixar o veículo em um dos muitos estacionamentos que estão ao redor da famosa cidade italiana.

A ideia de ficar hospedados em Camogli e fazer a visita em um dia é para evitar os preços salgados dos alojamentos em Florença, especialmente nesta época do ano. Deixamos Florença depois de um dia intenso e uma overdose de beleza com alguns versos da Divina Comédia do florentino Dante Alighieri: “não tenha medo, nosso destino não pode ser tirado de nós. É uma dádiva”.

O caminho de volta

Depois de 11 dias de viagem perseguindo a terrível e interessante história do rinoceronte de Dürer, chegou o momento de regressar a Lisboa, nosso ponto de partida. A ideia é fazer o mesmo caminho de volta, porém parando em diferentes cidades. As vezes, quando viajamos, a nossa percepção do tempo muda e a volta parece mais veloz que a ida.

Este texto vai te deixar com a mesma sensação, mas é de propósito. Como já não temos como guia o nosso famoso rinoceronte, a volta será rápida, porém igualmente interessante.

De Camogli partimos para Arles, que está a 466 quilômetros da cidade italiana. Fazemos uma parada para almoçar e conhecer alguns dos cenários imortalizados pelo pintor Vicent Van Gogh, que morou em Arles e ali pintou muitos de seus quadros.

Depois de almoçar e passear um pouco partimos para Nimes, que está apenas a 32 quilômetros de Arles. A ideia é passar só uma noite em Nimes para conhecer o centro histórico e sua famosa Arena, um anfiteatro romano edificado no ano 27 a.C.

Deixamos o território francês e entramos outra vez na Espanha em direção a Sitges, uma cidade catalã da costa mediterrânea famosa por um festival de cinema de terror e que está a 429 quilômetros de Nimes. O festival acontece no comecinho de outubro e, dependendo dos dias escolhidos para a road trip, vale a pena ajustar o calendário para ver o evento.

Além da experiência de ver um filme rodeado de fãs do gênero, há muitas atrações terroríficas pelas ruas da cidade. Sugerimos passar pelo menos uma noite em Sitges e partir para Toledo, localizada no centro da Espanha e a 655 quilômetros da cidade catalã.

Em Toledo temos uma grande mudança de cenário: deixamos atrás as praias para passear pela cidade histórica que foi descrita por Miguel de Cervantes como a “glória da Espanha”. Finalmente, depois de passar uma noite em Toledo e provar o famoso queijo manchego, fazemos nossos últimos 589 quilômetros de estrada e regressamos a Lisboa.

Recomeço

Ao retornar ao começo da nossa história, recomendamos levar na mala de volta a casa um souvenir imprescindível: o romance “A Viagem do Elefante” do grande escritor português José Saramago.

O livro narra uma história similar a do nosso rinoceronte, porém vivida por um elefante indiano, que em 1551 foi enviado como presente de casamento do rei João III ao arquiduque Maximiliano da Áustria. E se tiver interesse em conhecer mais sobre a história do animal que inspirou nossa viagem, recomendamos também “O rinoceronte do Papa” de Lawrence Norfolk.

Um detalhe interessante sobre a xilogravura de Dürer é que o artista alemão nunca viu o rinoceronte de Manuel I. A imagem foi baseada em descrições feitas por pessoas que viram o animal em Lisboa. Por isso, o desenho de Dürer possui algumas incoerências anatômicas. A obra, no entanto, exerceu uma grande influência nas artes.

Antes de embarcar de volta ao Brasil não esqueça de brindar pela memória do rinoceronte com um vinho do Porto ou um vinho Verde. A ignorância e vaidade de um rei provocaram sua morte prematura, mas nós quisemos homenageá-lo seguindo seus passos e transformando sua trágica odisseia em uma experiência única. Como disse Saramago, “a viagem não acaba nunca… O fim de uma viagem é apenas o começo de outra”.

Para ler as primeiras partes deste diário de viajante, só clicar aqui. 

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Publicado em Destinos

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