MÉXICO

Paraíso do turismo, Los Cabos torna-se cidade mais perigosa do mundo

A situação acende um alerta pelo peso que Los Cabos tem para o turismo do país, com seus atrativos naturais e uma bem desenvolvida indústria hoteleira.

A Marina de Los Cabos. EFE/ Arquivo

Após experimentar um aumento vertiginoso no número de homicídios, a cidade de Los Cabos, no México, se tornou a mais violenta do mundo, um dado que, além de abalar o setor empresarial, contrasta com sua posição privilegiada para o turismo do país.

De acordo com um relatório do Conselho Popular para a Segurança Pública e Justiça Penal, este município do estado de Baja California Sur, no noroeste do país, ocupa o primeiro lugar na lista das 50 cidades mais violentas do planeta, com taxa de 111,33 homicídios a cada 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Caracas, na Venezuela, com um número ligeiramente inferior (111,19 homicídios por cada 100 mil habitantes) e Acapulco (106,63), outra das 12 cidades mexicanas incluídas na classificação.

De acordo com o ranking, o Brasil tem 17 cidades na lista, com destaque negativo para Natal, em 4º lugar; Fortaleza, em 7º; e Belém, na 10ª posição.

Em todo o México, a violência aumentou em 2017 – houve 18,91% homicídios a mais do que em 2016 -, mas o caso de Los Cabos é especialmente preocupante. O município passou de 61 assassinatos em 2016 para 365 em 2017, o que representa um aumento de quase 500%, e até então, no entanto, a cidade nem fazia parte da lista do Conselho Popular.

A situação acende um alerta pelo peso que Los Cabos tem para o turismo do país, com seus atrativos naturais e uma bem desenvolvida indústria hoteleira. O lugar foi visitado por 1,4 milhão de pessoas em 2017 e foi o que registrou o maior crescimento ao longo do ano (17%). Apesar disso, foi cenário de episódios violentos que evidenciam o aumento da insegurança, como o ataque armado que aconteceu na paradisíaca Praia de Palmilla e que terminou com três mortos e dois feridos em agosto do ano passado.

O caso de Los Cabos guarda semelhanças com o que viveu outra localidade banhada pelo Oceano Pacífico. Acapulco, o balneário que teve a sua época áurea entre os anos 50 e 70, viu os turistas sumirem por causa da falta de segurança e dos altos índices de violência.

Diante desta situação, o presidente da Confederação Sindical da República Mexicana (Coparmex) em Baja California Sur, Miguel Ángel Ochoa, disse esperar que o problema “não atrapalhe” e que as ações de segurança venham para melhorar município.

“Queremos pedir às autoridades que continuem fortalecendo o seu programa de segurança”, disse ele à Agência Efe.
De acordo com Ochoa, a violência tem impacto direto na economia.

“Diminuem os investimento privados, o investimento nas empresas e isso desencadeia, em última instância, uma diminuição dos salários e o fechamento de postos de trabalhou”, exemplificou.

Desde 29 de janeiro, a estrada Los Cabos/La Paz é um dos pontos onde a Secretaria de Governo faz a Operação Titã, voltada para as áreas mais conflituosas do país e que conta com 5 mil agentes federais.

“Estamos somando todos os esforços. É uma grande força de trabalho conjunto feito por todas as corporações”, afirmou o delegado de governo de Baja California Sur, Ricardo Millán, ao falar dos aparatos de segurança municipal, estadual, federal e das Forças Armadas empenhadas em controlar os casos que vem acontecendo.

Ele explicou que começou a aplicar em algumas parte de Los Cabos as orientações da Comissão Estadual para a Prevenção Social da Violência e da Criminalidade, que antes era feita somente em La Paz e conta com o apoio da Secretaria de Governo, que destina 7 milhões de pesos (R$ 1,18 milhão) para a missão.

María Castro, moradora de Los Cabos, disse à Efe que, na cidade, todos estão com uma enorme sensação de insegurança: “Acho que todo mundo se sente como eu. Não temos mais para onde ir. É assustador. Agora mesmo, ouvimos um pneu cantando e nos apavoramos”, relatou.

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Publicado em Colunas