FÓRUM SÃO PAULO

Líderes do Fórum Econômico comerão pratos feitos de alimentos dispensados

Tomate maduro, casca de banana e salsinha murcha, que iriam parar no lixo, serão alguns dos ingredientes que a equipe da Gastromotiva, fundada em 2006 pelo chef David Hertz, usará para criar o menu servido aos participantes do evento.

EFE/Fernando Bizerra Jr.

Desperdício zero é o lema da Gastromotiva, que usará produtos dispensados para alimentar os 750 líderes regionais que participam do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, que acontece até quinta-feira em São Paulo.

Tomate maduro, casca de banana e salsinha murcha, que iriam parar no lixo, serão alguns dos ingredientes que a equipe da Gastromotiva, fundada em 2006 pelo chef David Hertz, usará para criar o menu servido aos participantes do evento.

“É um conceito integral, nada será perdido esta semana. Tudo estará no buffet e no menu dos principais executivos. Vamos servir comida resgatada, à qual damos uma segunda vida”, explicou à Agência Efe Nicola Gryczka, diretor-executivo da Gastromotiva.

A entidade surgiu quando Hertz deixou o cargo que tinha em um restaurante de São Paulo para ensinar as técnicas de cozinha para jovens em risco de exclusão social em favelas.

Essa foi a semente que depois foi espalhada por outras cidades brasileiras, entre elas o Rio de Janeiro, onde fica o Refettorio Gastromotiva – um restaurante social -, assim como para o México e a África do Sul.

Com o tempo, além da capacitação profissional, eles começaram a se preocupar com outros problemas relacionados à alimentação, como a obesidade e o desperdício de comida.

“Ao todo, 40% da nossa comida é jogada fora sem uso. É um tremendo desperdício. Isso daria para alimentar a população inteira”, disse Gryczka.

Com o Fórum Econômico Mundial, a intenção é impulsionar esta campanha de conscientização durante o evento e “mostrar que é possível encontrar solução” para aproveitar essa comida, que acabaria no lixo.

“Tudo o que não é utilizado (nas cozinhas) nós reaproveitaremos. Se estão fazendo um purê de batata, nós reutilizamos a casca e criamos um prato novo. A ideia é terminar este fórum com zero desperdício“, planejou.

 

EFE/Fernando Bizerra Jr.

Nos fogões do Grand Hyatt São Paulo, o hotel que recebe o encontro, 13 funcionários da Gastromotiva se dividem, por exemplo, entre cortar o palmito, picar a cebola e, acima de tudo, dar uma segunda chance aos produtos que seriam desperdiçados por ter uma aparência pouco atraente ou por falta de simetria.

Kamilla Nogueira é uma das integrantes da equipe. Enquanto ela prepara uma receita de palmito ao forno, Daniel Morais junta os ingredientes para fazer o molho de tomate.

À frente do grupo está Charlotte Schaus, coordenadora do Movimento da Gastronomia Social, um conceito impulsionado pela Gastromotiva, que já foi apresentado diversas vezes em Davos, na Suíça, no Fórum Econômico Mundial, e que enxerga na comida uma “ferramenta de transformação social”.

“Queremos unir todas as forças e criar um movimento conjunto”, afirmou à Efe Schaus.

O objetivo no longo prazo é utilizar as novas tecnologias para criar uma rede que una toda a comunidade internacional em prol desta iniciativa.

Schaus revelou que em poucas horas ela e sua equipe já chegaram a receber 15 quilos de produtos que os chefs do hotel descartaram para os seus pratos.

“E tem algumas coisas que eles jogaram no lixo que eu teria recuperado”, contou.

Com cascas completamente pretas, por exemplo, eles preparam um “ceviche de banana” que será servido aos principais executivos de multinacionais que participam do Fórum.

“Se conseguirmos com que o desperdício seja zero, acabaremos com a fome, mas é um processo que tem que ser colocado em prática em casa, nos supermercados. Mudando o pensamento das pessoas, conseguiremos fazer isso”, garantiu.

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