MUSICAL

Les Misérables, em São Paulo, tem temporada prorrogada até dezembro

Pela segunda vez no país, a história de Victor Hugo recebeu um novo ar a partir da produção do britânico Cameron Mackintosh (O Fantasma da Ópera, Miss Saigon, Cats).

  • EFE/FERNANDO BIZERRA JR
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A história de Jean Valjean, condenado pelo roubo de um simples pedaço de pão, que tem como pano de fundo uma miserável França após a Revolução está em cartaz na capital paulista, de quinta a domingo, com duas sessões nos finais de semana, no teatro Renault, meca dos musicais em São Paulo.

Apresentada pela segunda vez no país, a história de Victor Hugo que ganhou os palcos a partir da dramaturgia dos franceses Alain Boublil e Jean-Marc Natel recebeu um novo ar a partir da produção do britânico Cameron Mackintosh (O Fantasma da Ópera, Miss Saigon, Cats).

O musical acompanha 17 anos da vida de Valjean, que no Brasil é interpretado pelo ator espanhol Daniel Diges, em diferentes cenários franceses, desde a litorânea Toulon, onde está a famosa prisão de trabalhos forçados, até a capital Paris.

Estes destinos são percorridos pelo protagonista em um trajeto de fuga em uma incansável perseguição de sua nêmesis, Javert (Nando Pradho), um ‘homem da lei’ como faz questão de cantar, ao cumprir seu dever com deus e a sociedade francesa – fazendo vista grossa aos crimes de ‘homens de bem’.

O Valjean brasileiro é mais “bruto, mais animal, mais tigre”, como definiu o interprete espanhol, que canta em português, idioma que Diges teve que aprender em poucos meses para poder interpretar o protagonista do clássico francês no Brasil.

Confira a entrevista completa que ele concedeu à Efe, aqui

Na obra, Valjean fala constantemente com Deus e questiona sua existência. Mas a partir do encontro em Digne com o bispo de Bienvenu (bem-vindo, em francês), o condenado tem a oportunidade de reconstruir sua vida, e afastar-se do passado criminoso.

Com um novo nome, mas ainda foragido da justiça, Valjean se refugia em Montreuil-sur-Mer onde reconstruiu sua vida como prefeito da cidade e dono de uma manufatura que emprega Fantine (Kacau Gomes), responsável pelo momento mais emocionante e esperado da peça.

É Fantine que carrega o desafio de cantar a música mais famosa do espetáculo, e por que não dizer da cultura ocidental, já que Susan Boyle surpreendeu o mundo ao deixar seu vozeirão arrancar “I Dramed a Dream” no palco de um reality show britânico.

Em português, a versão assinada por Claudio Botelho (O Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera) recebe o título de “Eu Tive um Sonho”, e é belamente interpretada por Kacau, que emprega toda sua força e leveza ao momento em que, no teatro de mais de 1500 lugares, todos os olhos estão voltados à atriz em foco, sem o auxílio da pirotecnia tão comum ao gênero.

Além dos heróis deste clássico, vale destacar os respiros cômicos da dupla de vilões Monsieur e Madame Thénardier (Ivan Parente e Andrezza Massei), que levantam a casa com suas maldades que de tão absurdas chegam a ser engraçadas, mais especificamente no grande número “Seu Anfitrião” (Master of the House), em que os dois lideram toda a companhia de atores, cantores e dançarinos do espetáculo.

Os dois, pais de Eponine (que adulta é interpretada por Laura Lobo), são os responsáveis por cuidar de Cosette (que adulta é interpretada por Clara Verdier), quando criança – tanto Cosette quanto Eponine têm pequenas estrelas que se alternam nas sessões junto a Gavroche, menino que vive nas ruas de Paris, em um elenco infantil bastante afiado e que emociona.

Os pequenos já mostram talento e vocação para o teatro musical e é seguro afirmar que muitos atuam com a esperança de fazer como a jovem veterana Laura Lobo, que em 2001 interpretou a pequena Cosette.

Nada de Revolução

A história de Victor Hugo, apesar de muitos confundirem, não se passa durante a Revolução Francesa (1789-1799) e começa 16 anos após o fim daquele momento histórico. O que ela acompanha é apenas uma das movimentações do início do século XIX que faziam uso de barricadas – trincheiras improvisadas – em combates contra o poder repressor do Estado.

Toda a sonorização do espetáculo é produzida ao vivo, dos acordes de uma orquestra com ao menos 14 músicos, aos tiros e bombas do combate, imagem bastante conhecida do espetáculo, onde uma bandeira vermelha flamula acima de corpos feridos e cansados.

O espetáculo Os Miseráveis está em cartaz em São Paulo desde o dia 10 de março de 2017 e tem sessões previstas até dezembro desse ano, todas as quintas e sextas às 21h, sábados às 16h e às 21h, domingos às 15h e às 20h. Às quartas-feiras, a produção, que fez uso da lei Rouanet, organiza periodicamente sessões às 15h, com ingressos a 25 e 50 reais.

 

 

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