TAILÂNDIA

Insetos se tornam estrelas da alta gastronomia de Bangcoc

Peixe ao molho de caviar de formiga, risoto de marisco com gafanhotos e costelas de boi com pasta de grilo são uma amostra da variedade presente no cardápio do restaurante ‘Insects in the Backyard’, que fica numa das principais avenidas da capital tailandesa.

Um dos pratos do chef Thitiwat Tantragarn. EFE

Ninguém protesta ao ver uma enorme barata em cima do prato principal quando vai a um restaurante em Bangcoc, a capital da Tailândia, onde os insetos são o carro-chefe do cardápio.

Peixe ao molho de caviar de formiga, risoto de marisco com gafanhotos, costelas de boi com pasta de grilo, vieiras com lagartas de bambu e, de sobremesa, sorvete de baunilha com bicho-da-seda, são uma amostra da variedade presente no cardápio do restaurante ‘Insects in the Backyard‘ (Insetos no Quintal, em tradução livre), que fica numa das principais avenidas da capital tailandesa.

“Os insetos são o futuro. Especialistas alertam que o atual sistema de produção de alimentos coloca o planeta no limite e os insetos são o melhor substituto por serem ricos em proteínas, vitaminas e outros micronutrientes”, explicou à Agência Efe o chef Thitiwat Tantragarn.

 

Turista prova insetos fritos em Bangcoc. EFE

Há alguns anos, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) destacou em estudo o grande impacto ambiental e o consumo de água feito por fazendas de criação de gado e porcos; e como os espaços de criação de insetos e o seu consumo podem ajudar a garantir o desenvolvimento sustentável da indústria alimentícia.

A FAO identifica mais de 1.600 espécies de insetos comestíveis e indica que, em 112 países da Ásia, Europa, África, Américas e Oceania, se pratica a entomofagia, o consumo de insetos.

Foi pensando nisso que o chef tailandês projetou a fusão entre cozinha ocidental e insetos e mirou no objetivo de atrair clientes para uma nova experiência gastronômica e atraente.

“A resposta dos clientes foi muito positiva, cerca de 90% deles são turistas ou estrangeiros. Ainda que para alguns seja mais complicado ultrapassar a barreira mental de comer um inseto, quando se permitem, acabam reconhecendo que é saboroso”, contou o cozinheiro.

Fritos, cozidos, em molho ou no chá: essas são algumas das formas como eles podem ser preparados.

 

O chef tailandês Thitiwat Tantragarn. EFE

“Feche os olhos e prove. É como uma fruta seca“, explicou Tantragarn, ao se referir a grilos e bichos-da-seda; e lembrando que as baratas d’água são mais parecidas com lulas e caranguejos.

Apesar de ser comum encontrar barracas e carrinhos vendendo insetos prontos para o consumo nas ruas de Bangcoc, ainda existe a resistência do público de renda mais alta.

“Muitos acham que inseto é comida de pobre, mas poucos sabem que as lagartas de bambu, por exemplo, podem ser mais caras do que a carne bovina”, comentou o chef.

 

Vendedor ambulante de insetos em Bangcoc. EFE

Em 1º de janeiro, a União Europeia (UE) abriu as portas do mercado comunitário para os insetos destinados ao consumo humano.

“A demanda está crescendo, mas as pessoas ainda precisam de um tempo para assimilar a ideia”, reconheceu Thitiwat, que disse que o seu restaurante é o primeiro da Tailândia a servir esse tipo de prato, que tem preços que variam de 165 bats (R$ 17) a 345 bats (R$ 35).

Antes de abrir seu estabelecimento há oito meses, o chef visitou fazendas do todo o país para garantir parcerias com os melhores produtores da Tailândia. Agora, ele revelou que um dos planos para o futuro é experimentar insetos da América do Sul para possíveis combinações e para trazer a seu cardápio novas surpresas e colaborações.

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Publicado em Gastronomia

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