MÉXICO

Ilha Guadalupe, local privilegiado para ver e conhecer o tubarão-branco

A ilha de origem vulcânica, pertencente ao município de Ensenada, é o território mais ocidental do país latino-americano.

EFE/Isabel Reviejo

Por suas águas claras e sua concentração de exemplares durante todo o ano, a mexicana Ilha Guadalupe se transformou em um local privilegiado para ver o tubarão-branco e conhecer mais sobre esta majestosa espécie, da qual há registro de 272 indivíduos.

Esta ilha de origem vulcânica, pertencente ao município de Ensenada, é o território mais ocidental do país latino-americano.

“Consideramos que esta espécie era rara em águas mexicanas e de repente descobrimos, em 2003, que é dos melhores lugares do mundo para ver os tubarões-brancos”, afirmou à Agência Efe Mauricio Hoyos, principal pesquisador deste animal na ilha.

O biólogo marinho liderou os esforços para desvendar os comportamentos e deslocamentos do Carcharodon carcharias (nome científico do tubarão branco).

Considerado o maior peixe predador do mundo, mede normalmente de 4,5 a 6 metros, embora em Guadalupe foi documentada a fêmea Deep blue, de 6,5 metros, o maior exemplar já visto na história.

A temporada de observação vai de julho a novembro, ambos meses incluídos, e durante esse período várias empresas oferecem tours para contemplar os animais, com a proteção de jaulas.

No entanto, de acordo com os pescadores da região e os processos de fotoidentificação, marcas acústicas e vídeos realizados pelos pesquisadores, descobriu-se que os tubarões, que têm preferência pelas águas temperadas, permanecem em Guadalupe durante todo ano.

Nos últimos anos foi constatada uma maior presença de indivíduos jovens, o que coloca em dúvida se, “além de pela alimentação, (os tubarões) também podem estar utilizando a zona para outras questões, como a reprodução“, disse à Agência Efe Verónica Morales, bióloga da Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas.

Desde as águas da ilha é possível observar o comportamento destes animais, que atuam normalmente de forma independente e solitária, embora os pesquisadores estudem se estabelecem algum tipo de estratégia conjunta para atacar suas presas.

Quando dois exemplares se encontram, podem realizar um curto nado em paralelo, durante o qual comparam seu tamanho e força e, após isto, o mais frágil se retira.

Como predador do topo, os tubarões-brancos ajudam a manter a saúde do ecossistema e a regular as populações de elefantes-marinhos, sua presa favorita, da qual a Ilha Guadalupe tem uma grande população, afirma à Efe a coordenadora do programa de Conservação de Espécies Marinhas Prioritárias do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Georgina Saad.

Atualmente, o tubarão-branco é uma espécie vulnerável, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, o que significa que há um alto risco que chegue a estar em perigo de extinção no estado livre.

Um dos maiores riscos é a pesca ilegal ou a acidental, que ocorre quando caem em redes ou anzóis destinados a pescar outro tipo de animais.

“Isto lhes afeta consideravelmente, porque são animais que “não se reproduzem tão rápido, sua temporada de amadurecimento é muito longa e não têm muitos filhotes”, ressaltou Saad.

Além de receber o tubarão e os elefantes-marinhos, a ilha dá refúgio a outras espécies como o lobo-marinho-de-Guadalupe – que durante o princípio do século XX ficou à beira da extinção – e a baleia-bicuda-de-cuvier, espécie que durante um tempo, antes de ser catalogada, foi associada a um monstro marinho.

Em 2005, a ilha foi decretada Reserva da Biosfera, e atualmente está imersa na restauração de espécies frequentes de flora que foram prejudicadas quando os habitantes que chegaram ao local introduziram cabras, gatos e cultivos de aveia.

Enquanto isso, os pesquisadores e operadores turísticos fazem esforços para desmontar mitos sobre o tubarão-branco, encorajados em grande medida pelo filme “Tubarão” (1975) de Steven Spielberg.

“Mudar esta reputação de um tubarão que mata, para poder mostrar verdadeiramente o caráter destes indivíduos, que são surpreendentes”, concluiu Morales.

 

EFE/Isabel Reviejo

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