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Gastronomia do Paraguai quer ampliar atendimento para todos os tipos de gosto

Especialistas avaliam que cozinha do país esteja em um estágio de amadurecimento

Homem atende cliente em feira gastronômica no Paraguai. EFE/Noelia Aceituno

O setor de gastronomia do Paraguai mantém a essência da culinária guarani e dos ingredientes da terra, enquanto começa a atender a consumidores mais curiosos e exigentes que buscam novos sabores e se atrevem a provar novas receitas, como ficou claro no festival Paladar.

O cheiro de churrasco, com o tradicional assado paraguaio, recebeu os visitantes deste festival de culinária que também puderam saborear pratos vegetarianos, mexicanos, vinhos franceses e sorvetes inovadores.

Mulher chega à banca atraída pelo cheiro da “parilla”, o churrasco latino. EFE/Noelia Aceituno

O Paladar realizou este ano sua quarta edição, um sinal de que a sociedade “quer passar pela experiência e celebrar a gastronomia paraguaia”, como disse à Agência Efe o diretor da feira, Esteban Aguirre.

Os organizadores esperam este ano que cerca de 17 mil pessoas tenham passado pelo evento, se continuar a tendência de crescimento mostrada em eventos anteriores, embora Aguirre fique satisfeito se alcançar 15.001, um a mais que em 2017.

Ao rever as feiras passadas, Aguirre vê uma evolução do consumidor, que agora mostra “paladares mais curiosos ou exigentes”, mas também observa a necessidade de desenvolver uma educação culinária por parte dos clientes e dos donos de restaurantes.

“Estamos passando por uma fase adolescente da gastronomia”, disse Aguirre, acrescentando que o setor “está passando por este momento de mudança, em que é preciso construir uma ponte narrativa e uma união com o comensal.”

No entanto, restaurantes e empreendimentos gastronômicos paraguaios não têm dados para saber qual ingrediente de seus cardápios, seu atendimento ou administração não agradam o cliente.

“Se não conseguirmos reunir dados, não veremos uma saúde econômica em gastronomia e a realização do sonho de estabelecer a culinária que chamamos de neoguarani”, lamentou Aguirre, que com o Paladar está trabalhando com outras empresas para coletar dados sobre o setor no Paraguai.

Em sua opinião, o toque que não pode faltar é “a hospitalidade do Paraguai e a atenção para a culinária de bairro que agrada os clientes”, tudo para romper com a ‘koygua’ (termo em guarani para “timidez”) na cozinha.

O fim do medo ao risco foi demonstrado por 20 expositores que atraíram a visão e o olfato dos visitantes com seus pratos.

Grelhas e fogões foram usados para preparar desde lombo e surubí até hambúrgueres vegetarianos com microcervejaria local ou vinhos franceses para acompanhar. Havia também sobremesas, com doces veganos, sorvetes e pirulitos de flores.

Estes dividiam a mesa com bolos brancos cobertos com glacê branco, que enganavam os consumidores, pois eram recheados com legumes.

“Os ‘salad cakes’ são uma nova maneira de comer salada. É uma torta de salada, tudo salgado, também a cobertura, e usamos flores, microgreens e cogumelos”, disse à Efe Mika Nishijima, da empresa moyashi, que comercializa brotos de soja.

O “salad cake”, que engana o público”. EFE/Noelia Aceituno

Nishijima viveu sua primeira experiência como expositora nesta feira que está servindo para compartilhar a “maneira saudável de comer”.

Sua empresa não era a única nesta edição, na qual o restaurante Kehesto apresentou uma série de “alimentos à base de proteína vegetal”, que despertou o interesse de muitos visitantes.

O Paladar também parece ser uma oportunidade de provar iguarias de outros países que já estabeleceram uma mistura com alimentos locais.

A Musiu, fundada por imigrantes venezuelanos, trouxe para esta feira uma amostra de seu “menu tradicional, com culinária e outras coisas venezuelanas”, como resumiu Fauzi Antakli, um dos proprietários.

As apostas certas também não faltaram para atrair o público mais jovem, como disse à Agência Efe o encarregado de alimentos e bebida de La Preferida, um restaurante com 70 anos de história na capital paraguaia.

A organização do Paladar estima que a feira movimente cerca de US$ 340 mil no mercado de alimentos.

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Publicado em Destinos     Gastronomia

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