ARTE

Bienal de São Paulo reúne 600 obras de arte em busca de visão fragmentada

A Bienal de São Paulo é um dos eventos artísticos mais importantes do Brasil e um dos mais antigos do mundo, cuja primeira edição foi realizada em 1951.

EFE/Sebastião Moreira

A 33ª edição da Bienal de São Paulo, que abrirá suas portas ao público nesta sexta-feira, reunirá 600 obras de arte de cerca de uma centena de artistas de diferentes países na busca de uma visão fragmentada e diversa do mundo.

Sob o lema “Afinidades afetivas“, a mostra traz como principal novidade uma curadoria que é coordenada pelo espanhol Gabriel Pérez-Barreiro e partilhada por outros sete artistas, que tiveram total liberdade para realizar suas exposições com a condição de incluir também suas próprias criações.

Pérez-Barreiro lidera esta forma particular de organizar a mostra com o objetivo de propor uma alternativa ao sistema de curadoria centralizado que domina o circuito contemporâneo e que busca um diálogo entre a obra do artista-curador e o resto das criações expostas em seu espaço.

A ideia era “não trabalhar com nada predeterminado” e “criar uma polifonia de experiências dentro da Bienal”, segundo expressou o espanhol.

Em sua opinião, centralizar toda uma mostra na figura de um único curador pode gerar uma “perda de diversidade“, além de uma “potencial instrumentalização da arte“, na qual o artista “parece estar no final desse processo e é o ator menos importante”.

Desta forma, a “fragmentação” nesta Bienal é um fato que mostra a realidade de hoje e cuja solução não “é unir as coisas”, mas sim “como relacionar-nos com isso” e “tomar uma atitude a respeito”.

“Isso se conecta com as redes sociais e seu efeito colateral que faz que as pessoas só se relacionem com pessoas que pensem igual a elas”, comentou.

“Só se dá eco ao preconceito e aumentam as intolerâncias“, razão pela qual, diante desse panorama, “a melhor proteção é aceitar a diversidade”, completou.

 

EFE/Sebastião Moreira

Entre os sete artistas-curadores há quatro mulheres: a argentina Claudia Fontes, a brasileira Sofia Borges, a sueca Mamma Andersson e a americana Wura-Natasha Ogunji.

Completam a lista o uruguaio Alejandro Cesarco, o brasileiro Waltercio Caldas e o espanhol Antonio Ballester Moreno.

A 33ª Bienal de São Paulo, que terá as portas abertas até o próximo 9 de dezembro, conta com um orçamento de aproximadamente R$ 26 milhões.

De acordo com os organizadores, a expectativa é receber, durante os três meses de bienal, um milhão de pessoas, superando as 900.000 da edição anterior, realizada em 2016.

O Pavilhão da Bienal, situado no meio do parque Ibirapuera, receberá o que já se consolidou como um dos eventos artísticos mais importantes do Brasil e um dos mais antigos do mundo, cuja primeira edição foi realizada em 1951.

Além das sete exposições coletivas, Pérez-Barreiro escolheu 12 projetos individuais, três dos quais são homenagens póstumas ao guatemalteco Aníbal López (1964-2014), ao paraguaio Feliciano Centurión (1962-1996) e à brasileira Lucia Nogueira (1950-1998).

 

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Publicado em Cultura

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