IRÃ

Yazd, uma cidade histórica viva e integrada no deserto iraniano

Yazd é que é uma cidade construída seguindo um modelo de estudo do espaço urbano e com uma arquitetura própria em que sobressaem os “jardins baixos”

EFE/Abedin Taherkenareh

Yazd (Irã), 10 ago (EFE).- A cidade histórica de Yazd, incluída no último mês de julho na lista do Patrimônio Mundial da Unesco, é um labirinto de ruelas e casas de barro em que impera um estudo do espaço urbano e um estilo de vida adaptado ao deserto do Irã.

Adentrar no seu centro antigo é um retorno ao passado. O tempo parece ter parado entre a floresta de cúpulas, minaretes e “badgir” (torres de ventilação), avistadas dos vários terraços.

Estas torres, junto com seus canais subterrâneos ou “qanats”, são as principais peculiaridades desta original cidade multirreligiosa, que impulsionaram seu registro como Patrimônio Mundial.

Segundo destacou a Unesco, Yazd “é um testemunho vivo do uso de recursos limitados para garantir a vida no deserto “e, além disso, “escapou das tendências da modernização que destruíram várias cidades tradicionais do mundo”.

A esse respeito, o subdiretor da Organização de Patrimônio Cultural iraniano, Mohamad Hasan Talebian, explicou em uma entrevista à Agência Efe que Yazd cumpriu dois dos dez critérios da Unesco, que só exige um.

O primeiro é a arquitetura, o estudo do espaço urbano e o estilo de vida tradicional e, o segundo, se refere à integração da cidade com a natureza.

“É um modelo de desenvolvimento sustentável”, disse com orgulho Talebian, destacando a importância de que Yazd seja “uma cidade viva” na qual o patrimônio intangível continue presente.

Yazd é o 22º lugar do Irã reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco e a primeira cidade no seu conjunto, uma classificação mais difícil de conseguir que os monumentos.

Para isso trabalharam com afinco durante anos. Desde que em 2008 Yazd foi incluída na lista temporária, as autoridades iranianas se esforçaram para apresentar há dois anos o dossiê definitivo.

Na opinião de Talebian, o mais importante de Yazd é que é uma cidade histórica construída à base de “qanats”, seguindo um modelo de estudo do espaço urbano e arquitetura própria em que sobressaem também os “jardins baixos”, situados sob o nível da terra.

O sistema de canais subterrâneos, que capta a água dos lençóis freáticos, está conectado com depósitos refrescados graças ao engenhoso mecanismo das torres de ventilação, um tipo de ar condicionado antigo.
Estes elementos junto com a estrutura das suas moradias de barro são um claro exemplo de adaptação ao clima extremo da região, situada entre os desertos de Kavir e Lut, onde escasseiam as chuvas e as temperaturas são altas no verão e baixas, no inverno.

Entre as suas casas se destaca uma série de prédios religiosos como a mesquita Yameh, cuja impressionante entrada e minaretes de azulejos, os mais finos do Irã, datam do século XIV.

Junto com os monumentos islâmicos, entre os quais tampouco se pode esquecer o mausoléu dos Doze Ímãs e o complexo de Amir Chakhmaq, formado por um bazar e uma mesquita, encontramos sinagogas e templos zoroastristas, como publicou a Unesco.

O Templo do Fogo (Ateshkadek), a sede mais importante do zoroastrismo no Irã, abriga um altar com um fogo aceso – segundo dizem – desde o século V, enquanto que nos arredores de Yazd se avistam as Torres do Silêncio, o tradicional cemitério dos seguidores desta antiga religião.

Esta convivência de religiões – muçulmanos, judeus e zoroastristas – é outro dos pontos fortes da cidade e do seu patrimônio intangível.

“Estas três religiões ao longo da história viviam juntas e agora continuam assim, são todos de Yazd, o que oferece um olhar ao diálogo inter-religioso”, afirmou Talebian.

Todos estes espaços serão beneficiados com o registro de Yazd como Patrimônio Mundial de melhores planos de conservação, de uma gestão mais integrada de todas as instituições da cidade e de um maior orçamento.

Talebian explicou que têm sido impostos limites à construção de estradas e prédios altos, e ao uso de materiais que não sejam o tijolo ou o barro, ao mesmo tempo em que se está ajudando a restauração de centenas de domicílios particulares.

As autoridades iranianas esperam que o reconhecimento da Unesco impulsione a chegada de turistas, que podem se hospedar em um grande leque de hotéis instalados em prédios tradicionais, coroados por torres de ventilação.

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