Turismo idiomático impusiona o português como segunda língua para estrangeiros

O português carrega um potencial econômico-turístico que o coloca entre as segundas línguas de estrangeiros no mundo, preferência dada, até então, ao inglês e ao espanhol.

A cultura brasileira pode ser representada pelo idioma português, presente em 27 estados diversificados por seus dialetos e regionalidades, mas que é comum e único com mais de 500 anos de existência e que, atualmente, carrega um potencial econômico-turístico que o coloca entre as segundas línguas de estrangeiros no mundo, preferência dada, até então, ao inglês e ao espanhol.

O finlandês Peetu Skyttä é um dos estrangeiros que escolheu aprender o português através de um intercâmbio de estudos que fez no interior de São Paulo.

“Primeiramente, eu vi a oportunidade de conhecer uma nova cultura e ter novas experiências, também porque queria aprender a língua portuguesa, que é pouco conhecida na Finlândia, e onde muitas pessoas podem estudar espanhol, mas não português no colegial. Queria ser diferente e falar uma língua que ninguém soubesse falar na minha escola”, conta Skyttä.

O finlandês Peetu Skyttä é um dos estrangeiros que escolheu aprender o português através de um intercâmbio de estudos que fez no interior de São Paulo.

Após um ano de intercâmbio, ele voltou a Finlândia, mas como tinha se adaptado “muito bem” ao Brasil, Skyttä decidiu voltar ao país para fazer o ensino superior e em 2012 se formou no curso de relações internacionais.

Hoje, ele trabalha em uma empresa finlandesa com sede em Campinas, a 100 km de São Paulo, casou-se com uma brasileira e pretende “seguir a vida” no país. “Conhecer a língua portuguesa abriu muitas portas para mim, tenho certeza de que sem conhecer o portugues talvez não teria conseguido o emprego que tenho hoje”, destaca Skyttä.

Peetu chegou ao Brasil em 2007 incentivado por amigos que já conheciam o país e, depois de mais de cinco anos morando no estado de São Paulo, viaja a outras nações fazendo uma “divulgação positiva” do terrirório e cultura brasileiros.

Em comum entre Skyttä e os brasileiros há a curiosidade pelo conhecimento de novas culturas e realidades, os brasileiros, por exemplo, movimentaram mais de um bilhão de dólares em 2012 para estudar no exterior, chegando a marca de 175 mil cidadãos fora do Brasil no mesmo ano.

Conhecer a língua portuguesa abriu muitas portas para mim, tenho certeza de que sem conhecer o português talvez não teria conseguido o emprego que tenho hoje

Esse número tem aumentado com a facilidade de acesso ás informações disponibilizadas na internet, a proliferação de cursos de idiomas nas escolas, além das parcerias público-privadas de incentivo a este segmento de mercado que é o turismo idiomático.

Em contrapartida, ainda não se contabilizou o número de imigrantes que chegam ao Brasil para aprender o português nos últimos anos, mas as estimativas se elevam desde 2005, quando o Ministério do Turismo considerou o português como um idioma de potencial econômico, que promove o segmento turístico.

“Português é uma língua estrangeira, temos que ter a responsabilidade de ensinar um idioma e ter um orgulho de falar de nossa cultura e de nosso pais. Precisamos nos espelhar em países como Inglaterra, Espanha, França e Argentina, que reconhecem o poder econômico de sua língua”, disse a diretora da Torre de Babel Idiomas, Susanna Florissi.

Susanna afirma que o crescimento do Brasil como local para se estudar o português é gradual, mas que cada vez mais é preciso especializar os professores que ensinam a língua nacional como idioma de “orgulho e herança”.

Para isso, veio para São Paulo pela primeira vez a quarta edição do Congresso de Turismo Idiomático, no início de outubro, que pautou discussões como o crescimento do mercado do intercâmbio cultural através dos idiomas português e espanhol, potenciais segundas línguas para os estrangeiros, e também a apresentação de paineis e workshops que auxiliam no ensino didático desses idiomas.

Precisamos nos espelhar em países como Inglaterra, Espanha, França e Argentina, que reconhecem o poder econômico de sua língua

“O congresso é um marco para o Brasil, pois poderemos discutir a união do segmento de turismo de idiomas e o ensino de línguas na tentativa de expandir, ainda mais, o português como uma língua além da América Latina. Consideramos o português e o espanhol línguas mundiais”, explicou o presidente da Brazilian Educational and Language Travel Association (Belta), Carlos Robles.

Outros programas de intercâmbio também fortaleceram a troca de experiências entre visitantes brasileiros no exterior e visitantes estrangeiros no Brasil, como o caso do programa acadêmico Ciências sem Fronteiras, do governo federal.

“Ações de órgãos públicos e privados devem auxiliar na ideia de valoração dos idiomas português e espanhol como recursos turísticos, ecônomicos e culturais a fim de uma afirmação de um espaço latino americano. Por isso, o principal foco do congresso é pensar no desenvolvimento da indústria da língua e da cultura”, explicou o presidente da Associación de Centros de Idiomas da Argentina, Marcelo García.

Para a diretora de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Lourdes Zilberberg, “o mundo precisa de cidadãos globais” e o intercâmbio de idiomas permite a troca de culturas e manutenção de aspectos regionais de cada país.

“Estamos vivendo em nossos países carência de lideranças, precisamos de nações irmãs para internacionalização das pessoas, por isso o turismo idiomático é um segmento de encontro de culturas e as escolas precisam fortalecer programas desse tipo”, reiterou a diretora.

Como novidade a Fundação irá lançar para este ano um curso de português destinado a estrangeiros intercambistas que estejam visitando o Brasil.

O mais importante é conhecer as duas culturas de maneira completa e profunda. Às vezes, sinto que sou um para-choque entre as culturas, especialmente quando se trata de uma negociação com alguém do meu país e uma empresa local onde faço a intermediação e tradução. Mesmo que ambas as partes falam inglês, não tem como evitar desentendimentos”, reitera Skyttä, que não pretende sair do Brasil.

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