Turismo substitui histórica indústria do guano no Peru

A rica vida marinha é uma das atrações destas ilhas em frente à capital do Peru, Lima, que tiveram seu auge com a extração de guano, motor da economia local no século XIX.

Barcos passeam em torno das ilhas. Foto: EFE/ Ernesto Arias.

A costa e as ilhas rochosas do litoral do Pacífico peruano encontraram no turismo de natureza e aventura um substituto sustentável e equilibrado à histórica indústria do guano, antigo motor econômico da região, que chegou a ser motivo de guerras e conflitos entre 1840 e 1870.

A apenas seis milhas marítimas do porto do Callao, e à vista de Lima, capital do Peru, as ilhas de Cavinzas e Palomino, parte da Reserva Nacional das Ilhas, Ilhotas e Pontas Guaneras, estão abertas à observação de aves, à pesca esportiva e inclusive ao mergulho em parte de uma colônia de leões marítimos.

Turistas mergulham perto da colônia de leões marinhos. Foto: EFE/ Ernesto Arias.

Turistas mergulham perto da colônia de leões marinhos. Foto: EFE/ Ernesto Arias.

Vibrante vida marinha

Diariamente, dezenas de embarcações e catamarãs se aproximam destas inóspitas ilhas, vibrantes de vida marinha, para introduzir aos turistas um lugar marcado pelo olhar decadente dos antigos píeres e armazéns deixados pela exploração do guano, excremento de aves marinhas que até meados do século XX constituía o fertilizante essencial para o desenvolvimento da agroindústria mundial.

O turismo permite conservar a biodiversidade e as aves guaneras, e esta preservação ajuda a permitir que se recolha guano periodicamente”, explicou Elena Coronado, que trabalha na guarda da reserva.

“O turismo melhorou as ilhas. A extração de guano se deu muitos anos atrás e foi um ponto muito importante para a atividade econômica do Peru. Continua a ser explorado, mas sob um aspecto especial.

Entre outras coisas, os turistas podem encontrar e observar pingüins de Humboldt, uma espécie ameaçada, e outras aves como pelicanos, o corvo-marinho-de-face-branca, gaviotinha-monja ou guanays, espécies que quase não podem ser observadas em outros lugares do mundo, assim como nadar, se aguentar o frio das águas, em uma colônia selvagem de curiosos lobos marítimos.

Turistas observam aves. Foto: EFE/ Ernesto Arias.

Turistas observam aves. Foto: EFE/ Ernesto Arias.

 

Esta região está no coração da célebre corrente de Humboldt, que leva ao norte a gelada água da Antártida ao longo da costa do Peru e com ela um ecossistema marinho de grande riqueza tanto natural como econômica.

“Muita gente não sabe o que há nas ilhas guaneras, e nós queremos promovê-las. Muitos acreditam que para ver esta natureza é preciso viajar para muito longe, mas estamos a apenas 20 minutos de Lima”, destacou Isabel Iwaya, diretora da empresa turística Conociendo Peru – dedicada a levar turistas às ilhas.

O objetivo declarado da empresária é levar 15 mil turistas por ano à reserva natural, um número “pequeno, se comparado com o volume de turismo que o Peru recebe”.

Guano ainda é fonte de renda

Este exploração turística se complementa muito bem com a ainda existente coleta de guano, que continua a ter demanda como fertilizante natural para a agricultura ecológica, e que é feita a partir de estudos conduzidos pelos especialistas do parque natural.

Matéria-prima não falta. Em uma pequena ilha de 13 hectares, povoadas por dezenas de milhares de aves, é possível acumular a cada cinco ou seis anos 10 mil toneladas de guano.

Este resíduo é rico em nitrogênio, amônia, ureia, fósforo e fosfatos, materiais imprescindíveis para cultivar solos deficientes em matéria orgânica.

Barcos com turistas perto das ilhas. Foto: EFE/ Ernesto Arias.

Barcos com turistas perto das ilhas. Foto: EFE/ Ernesto Arias.

Riscos ambientais

Os únicos inimigos desta situação aparentemente ideal de exploração turística e industrial compatível é a pesca, inimiga particular dos lobos marítimos que, pela falta de peixes para se alimentarem, comem nas redes dos pescadores, onde se arricam a sofrer disparos, golpes e até cargas de dinamite.

A caça ilegal de aves também é um risco, particularmente alto para as que estão em risco de extinção, como os pingüins, mas os operadores turísticos e os guardas do parque têm se esforçado em conscientizar os pescadores locais da importância de preservar a fauna para que as Ilhas Cavinzas e Palomino sejam um exemplo de desenvolvimento sustentável no Peru.

Foto: EFE/ Ernesto Arias.

Foto: EFE/ Ernesto Arias.

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