TUNÍSIA

Túnis recupera pulso turístico apostando em novos projetos

Segundo o Escritório Nacional de Turismo, algo mais de 4,6 milhões de turistas, visitaram Túnis nos últimos oito meses.

EPA/MIKE NELSON

A chegada de projetos inovadores, como a realização em dezembro da World Legends Cup (WLC) – que reunirá mais de 200 estrelas de futebol, inclusive brasileiras – e o retorno de hotéis e operadores confirmam a recuperação da indústria turística de Túnis, dois anos depois dos graves atentados jihadistas.

O último a desembarcar foi a rede suíça Mövenpick, que decidiu alongar sua oferta no país com a abertura de um novo hotel no país, além do que já possui na cidade costeira de Gammarth, que será sede de citado torneio.

“Os ataques fazem parte do passado. Túnis avançou, segue avançando, está empreendendo novos projetos e estamos centrados em poder atrair de novo os clientes perdidos do passado”, explicou à Agência Efe o diretor do citado hotel, Olivier Six.

“Estamos muito felizes de ver que após as decisões de governos como o britânico (de suspender o alerta de viagem), o turismo começou a voltar pouco a pouco. Naturalmente, a razão pela qual o Movënpick decidiu abrir um segundo hotel se baseia no potencial de turistas que vão voltar nos próximos dois anos”, acrescentou.

Os números do presente verão parecem confirmar esta tendência: segundo o Escritório Nacional de Turismo, algo mais de 4,6 milhões de turistas, visitaram Túnis nos últimos oito meses, o que significa um aumento de 57,8% com relação ao mesmo período do ano passado.

A maior parte deles chegou de pontos tradicionais de origem do turismo tunisiano, ou seja Argélia, França, Alemanha e Reino Unido, e deixaram mais de US$ 666 milhões aos cofres do estado, explicou por sua vez a ministra tunisiana do ramo, Selma Elloumi

“O objetivo é atrair novos mercados” como o russo e os países do leste, sobre o qual Túnis centrou os seus esforços nestes dois anos de travessia do deserto, precisou a ministra.

À recuperação também contribuíram, em certa medida, os ataques em território europeu, já que segundo os especialistas, o turista começa a pensar que o terrorismo é um fenômeno global, e não se reduz só à idiossincrasia da zona.

Neste ambiente, o governo tunisiano espera que a realização em dezembro de um evento de grande impacto midiático como a WLC sirva para recuperar a imagem do país como destino turístico e empurrar definitivamente um setor vital para seus enfraquecidos cofres.

Promovido por uma empresa com sede na Holanda e com o selo da Fifa, o torneio, que será realizado a cada dois anos (a primeira edição será em 2017 na Tunísia) reunirá mais de 200 lendas do futebol mundial representando nações como Espanha, Itália, França, Argentina, Brasil, Holanda e Estados Unidos.

A iniciativa faz parte da chamada visão “Túnis 2020”, um plano para atrair investimentos e recuperar a economia nacional lançada no ano passado pelo próprio governo, que financia uma parte importante da competição.

“Acredito que vai ser um ponto de inflexão no turismo, vai ajudar a campanha de marketing, vai colocar no front os destinos turísticos, e vai levantá-lo”, explica Six.

“É uma excelente oportunidade para demonstrar a outros potenciais eventos desta classe no futuro que Túnis está aberta aos negócios, ao turismo, ao futebol”, diz.

O objetivo final é dinamizar uma economia frágil na qual o desemprego e a imigração são um dos principais problemas, junto à galopante inflação, à queda do valor da moeda nacional, à queda das reservas de moedas e aos obstáculos de uma administração obsoleta.

“Investir em Túnis, sobretudo no turismo, é ainda uma odisseia. A lei é ainda muito protecionista, a burocracia um horror e o investimento prévio muito alto. Além disso, há um déficit de trabalhadores qualificados, que sabem ajudar e tratar o turista atual”, explica um empresário espanhol do setor.

Uma crítica à qual se somam também os pequenos operadores locais, que advertem sobre as consequências de apostar de novo tudo em um tipo de turismo de massa, de cruzeiros e viagens organizadas, como o que explodiu a ditadura de Zin al Abidín ben Ali.

“Túnis atrai um turismo barato, de turistas de classe média que buscam tudo incluído nos grandes hotéis. Nisso há muita competência. O país tem uma rica história, um deserto maravilhoso e outras alternativas que devem ser explorada”, afirma o dono de uma pequena agência de viagens.

“É, além disso, um turismo muito frágil, exposto aos efeitos de um atentado como em 2015, que seria um golpe quase definitivo” para uma árdua transição política, a única que sobrevive às asfixiadas “Primaveras Árabes”, disse.

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Publicado em Destinos

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