Turismo Espanha

Surtos de “turismofobia” ligam sinal de alerta em algumas regiões da Espanha

Hostilidade aos visitantes aumenta, especialmente na região da Catalunha

Grupo de turistas no Parque Guell, em Barcelona, observam mensagem hostil à sua presença. EFE/Quique García

Ataques a lugares turísticos na Espanha geraram um debate que ligaram o sinal de alerta no país, principalmente nos governos regionais, que há anos tentam ordenar os pontos mais conflituosos do setor, como hospedagens ilegais e a massificação.

Em defesa deste setor, fonte de riqueza e emprego na Espanha, saiu inclusive o presidente do Governo, Mariano Rajoy, para quem os ataques contra a indústria turística são “sem sentido”.

A polêmica desta temporada de férias de verão no país tem ramificações: por um lado se discute sobre este tipo de atuações, condenadas praticamente em todas as esferas, da política à econômica, mas também surgiu um debate sobre o modelo turístico e a exploração excessiva de alguns destinos.

Essa última vertente ganhou repercussão depois que empresa de turismo alemã TUI, a maior da Europa, disse que a Espanha já está bastante cheia de turistas, que os preços subiram e, por isso, há outros países que poderiam se beneficiar da chegada de visitantes.

Em meio a esse panorama, algumas comunidades acreditam que regular alugueis de imóveis a curto prazo com fins turísticos, recuperar os chamados destinos “maduros”, contribuir para a sazonação e inclusive impor uma taxa por visitante são fundamentais para limitar o turismo massificado e sua derivação mais complicada, o “turismo de bebedeira”. E, de passagem, poupar protestos de vizinhos.

Na Catalunha, onde foram iniciadas as ações contra lugares turísticos, o governo regional prometeu “cuidar dos visitantes e da imagem da marca Catalunha”. Já a prefeita de Barcelona, Ada Colau, foi uma das primeiras a tomar medidas contra a massificação turística aprovando suspensões a novos hotéis e apartamentos de locação por temporada.

Em Palma de Mallorca, já havia apelos contra o turismo desde o ano passado, mas os episódios de vandalismo diminuíram neste ano. O governo local criticou duramente este tipo de atos, advertiu que “não se pode jogar” contra a principal indústria do arquipélago e defende uma mudança no modelo turístico.

De fato, na semana passada entrou em vigor a modificação da Lei de Turismo para acabar com a “especulação” no aluguel das moradias.

No País Basco, a preocupação cresceu na última quarta-feira, quando membros de juventudes separatistas atacaram a sede da Agência Basca do Turismo em Bilbao.

Há um consenso no País Basco de que não existe um turismo “massificado” e que não é necessário mudar o modelo, que aposta em ser “sustentável e de qualidade”, nas palavras do lehendakari (presidente do governo basco), Iñigo Urkullu.

Nas Astúrias, na última semana houve manifestações em Oviedo contra turistas, mas o governo regional diz que foram um caso isolado em uma região de turismo sustentável, de qualidade e “harmônico” com a natureza.

Em outras regiões consideradas de “sol e praia”, como a Andaluzia, não houve casos de “turismofobia” por enquanto.

As Ilhas Canárias não registraram nenhum episódio violento, nem os esperam, sobretudo porque as zonas de afluência de turistas e as de residentes estão bastante afastadas.

Para o presidente da Generalitat Valenciana, Ximo Puig, o que existe é a “turismofilia” e o debate é “artificial” porque “sempre houve problemas cotidianos”, que “não são turismofobia”.

Madri não registrou protestos e, longe de tentar conter a chegada de turistas, as autoridades locais se concentram em iniciativas para tornar a região mais atrativa e receber mais visitantes, sobretudo estrangeiros.

Em comunidades do interior como Aragón, Castela e Leão, Estremadura, Navarra e La Rioja também não houve manifestações de “turismofobia”, e suas autoridades compartilham a ideia de proteger o turismo como uma oportunidade de desenvolvimento, assim como na Galícia.

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Publicado em Colunas     Destinos