Lembranças e traumas de guerra em Sarajevo

A história recente da Bósnia ainda está muito presente em sua capital, sarajevo, e atrai turistas interessados em conhecer um pouco mais dos horrores da guerra dos Balcãs.

Sarajevo ao anoitecer. Foto: Wikicommons/Blood Saric

Entrar no túnel que conectou Sarajevo com o mundo durante o assédio à cidade, visitar o mercado de Markale, onde 69 civis morreram em um bombardeio, e atravessar a “Avenida dos franco-atiradores”, são parte do roteiro turístico de guerra da capital da Bósnia.

Essas são algumas das paradas dos circuitos turísticos que percorrem os anos mais tristes da história recente de Sarajevo, a guerra civil de 1992-1995, como “Sarajevo Times of Misfortune Tour”, “3 Hour Balcans Dark Side & War Tour” e “Sarajevo Total Siege” .

Túnel da Esperança

O Túnel D-B, popularmente chamado Túnel da Esperança, é um dos destinos mais solicitados. Em 2016, o pequeno trecho que ainda está aberto e o museu que explica sua história foram visitados por 120 mil dos 400 mil turistas que passaram por Sarajevo.

Ainda se pode percorrer os últimos 25 dos 800 metros que a passagem subterrânea de 150 centímetros de altura e 100 de largura, por onde entraram armas, combustível e mantimentos à cidade – e que foi também a única via de escape durante os 30 meses da ofensiva das forças servo-bósnias.

“Enquanto cruzam agachados estes 25 metros, pedimos que imaginem o que era caminhar pelo barro profundo com uma carga de 50 quilos na mochila”, contou Edina Memic, curadora da exposição sobre o túnel.

Imagem de Sarajevo durante a guerra. Foto: Times of Misfortune Tour

Imagem de Sarajevo durante a guerra. Foto: Times of Misfortune Tour

Hotel da Guerra

Outra experiência especial, única no mundo, está no Hotel da Guerra, garantiu seu proprietário, Arijan Kurbasic, que recebe o visitante de uniforme militar e capacete.

Neste surpreendente estabelecimento os hóspedes podem imaginar como era a vida dos sarajevitas durante a guerra, que durou de 1992 a 1995, entre muçulmanos, sérvios e croatas da Bósnia, e que deixou 97 mil mortos. Só em Sarajevo houve mais de 11 mil vítimas mortais, entre elas 1.100 crianças.

O hotel, em que se movimenta à luz de velas, oferece quartos com lâmpadas conectadas a acumuladores e janelas tapadas com rolo de plástico e grossos cobertores militares.

A equipe veste uniformes militares e serve os alimentos que eram comidos na guerra, como bolinho de arroz, lentilhas, pão ázimo e latas de sardinhas. Quem pernoita, escuta durante toda a noite os ruídos de explosões.

No refúgio antibombas recriado, há exibição de documentários sobre o assédio e ler artigos da imprensa daquela época colados nas paredes.

Kurbasic deseja que seus visitantes, ao viver estas difíceis condições, se tornem mais conscientes do quão sortudos são por ter as comodidades da vida contemporânea.

Avenida dos Franco-atiradores

Foto: Dak side Tour

Foto: Dak side Tour

O guia turístico Edin Bazdarevic conduz seus clientes em um tour que começa no Bastião Branco, uma torre da época otomana de onde se domina a cidade e os montes que a cercam.

“Esta geografia é a que trouxe a Sarajevo os Jogos Olímpicos de Inverno de 1984. Oito anos depois, desde esses montes começaram a disparar, a destruir as vidas e o patrimônio cultural”, rememorou Bazdarevic.

Sua rota segue pela Snajperska Aleja, a “Avenida dos franco-atiradores”, o boulevard central de onde os atiradores sérvio-bósnios disparavam contra tudo o que se movimenta.

A rota segue pelo mercado central de Markale, onde em 5 de fevereiro de 1994 uma granada de morteiro acabou com a vida de 69 civis e feriu outros 150. Depois continua com uma visita ao monumento às crianças que morreram na guerra e por uma maternidade que foi incendiado durante o conflito.

O ponto final da tour é o cemitério militar Kovaci, onde repousam 1.487 soldados e policiais mortos no conflito.

Bazdarevic indica que os turistas gostam de escutar histórias de coragem e de criatividade das pessoas e de sua capacidade de sobreviver às condições “de uma vida sem nada”.

Como se aqueciam e cozinhavam em uma estufa cujo combustível eram sapatos, ou onde recolhiam a água quando o fornecimento foi cortado são algumas das façanhas que mais os interessam.
Sarajevo Sitiada

Memórias da guerra

A exposição “Sarajevo sitiada”, no Museu da História da Bósnia-Herzegovina, exibe objetos de guerra, como armas improvisadas, recipientes de ajuda humanitária, geradores de eletricidade elaborados à mão e fragmentos do diário de uma professora que morreu com seus alunos com a queda de uma bomba em sua sala de aula.

“A potência dos objetos da época do assédio é intensa. Mostram a vida e o desejo de sobreviver”, resumiu a diretora do Museu, Elma Hasimbegovic.

E em Bascarsija, mercado tradicional do centro de Sarajevo, os artesãos vendem lembranças como brincos, canetas e vasos elaborados e talhados em cápsulas de projéteis de bala e de granada.

Turismo TV <p>Bolso con estampados típicos españoles. Foto: Grupo LK</p>
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Quais lembrancinhas os turistas levam da Espanha? (em espanhol) duração: 2.05

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