TURISMO PORTUGAL

Museu da Farmácia português percorre 5 mil anos da história da humanidade

Os primeiros microscópios, medicamentos usados no desembarque da Normandia em 1944 ou em missões espaciais estão entre os perto de 17 mil objetos deste museu, com sedes em Lisboa e Porto.

EFE/Miguel Conceição

A medicina e a própria história da humanidade são as protagonistas do Museu da Farmácia, que percorre mais de 5 mil anos de história para mostrar como o homem procurou a cura para suas doenças ao longo dos séculos.

Os primeiros microscópios, medicamentos usados no desembarque da Normandia em 1944 ou em missões espaciais estão entre os perto de 17 mil objetos deste museu, com sedes em Lisboa, inaugurada em 1996, e no Porto, inaugurada em 2010.

Com este extenso acervo é realizada uma viagem de 5 mil anos para informar como “cada civilização e cada cultura combateu as doenças”, disse à Efe o diretor do museu, João Neto.

Desde a Mesopotâmia à corrida espacial, o museu pretende “homenagear e contar a história do homem“, sustenta Neto.

O diretor ressalta a “diversidade” da coleção do museu e acrescenta que, apesar do nome de “farmácia”, esta instituição aborda na verdade “a história da saúde.

São várias as culturas presentes na impressionante exposição permanente do museu, tais como a egípcia, a grega, a romana, a asteca ou a maia, entre muitas outras, civilizações nas quais a medicina estava intrinsecamente ligada ao âmbito divino.

Esta característica está presente em muitos dos objetos do museu, já que naquele momento pensavam que as doenças “eram ataques por parte dos Deuses”, pelo que a saúde dependia “de uma boa relação” com as divindades, disse o diretor.

Um dos elementos que representa esta relação com o divino é o sarcófago egípcio que recebe o visitante na exposição permanente da instituição em Lisboa e que, segundo Neto, estava destinado a que “esse corpo tenha saúde na viagem que vai realizar até ao paraíso”.

“O próprio combate à doença muitas vezes também se produz a nível espiritual, está em outra dimensão”, afirma o diretor, que sustenta que o museu aborda esse aspecto, já que é essencial para contar a “visão completa” desta história.

Nesta linha, várias peças do Museu da Farmácia aludem inclusive a superstições antigas, tais como um longo “corno de unicórnio” que é na realidade um dente de narval, um cetáceo que se encontra nos mares dos oceanos Atlânticos e Ártico.

No ano em que Lisboa é Capital Ibero-americana da Cultura, o diretor do museu mostra com orgulho a extensa coleção de objetos da era pré-colombina que o espaço acolhe.

Através desta seleção, a instituição pretende “homenagear o homem ibero-americano, remontando a um passado histórico” ajudado por lembranças das culturas asteca, maia ou inca.

Nestes objetos é frequente a ideia da vida após a morte, que se combina com as habituais figuras do xamã e do jaguar, elementos inseparáveis do imaginário desta cultura.

João Neto destaca em particular uma estátua na qual se vê o espírito de um xamã dentro do seu próprio corpo na busca da doença, uma ideia que representa “o princípio do TAC e da ressonância magnética“.

As conquistas alcançadas no âmbito da medicina moderna não podiam faltar nos corredores desta instituição, e é aqui onde, segundo o próprio diretor, o museu apresenta “a peça mais importante” da coleção: uma cápsula com penicilina que pertenceu a Alexander Fleming, responsável desta descoberta.

No objeto é possível inclusivamente observar anotações feitas pelo cientista britânico, autor deste “milagre” da medicina que o levou a ser “aclamado como herói do universo”, sustenta Neto.

Fazendo justiça ao seu nome, o museu acolhe também autênticas farmácias antigas, expostas aqui após um longo e árduo trabalho de investigação e restauração.

Entre elas se destaca uma tradicional farmácia chinesa de finais do século XIX, levada à capital portuguesa pelo próprio diretor desde a antiga colônia lusa de Macau, e uma farmácia islâmica do século XIX que outrora esteve num palácio de Damasco (Síria) e que agora se encontra no Museu da Farmácia do Porto.

O museu, que continua adicionando objetos ao seu acervo, adquiriu recentemente as ordens de detenção de figuras ligadas à Alemanha nazi, como a de Karl Brandt, médico pessoal de Adolf Hitler.

Esta peça está em uma vasta coleção que, sublinhou Neto, não é composta por objetos “interessantes” mas sim representativos da história “do homem” na sua busca da cura para as doenças.

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Publicado em Cultura

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