Mulheres de Jerusalém abrem intimidade de sua casa aos turistas

Mulheres de Jerusalém, de todas as origens étnicas, abrem a porta de suas casas aos turistas para mostrar sua realidade cotidiana aos turistas que visitam Israel.

Dalia Harfof prepara doces para os turistas que recebe em casa. EFE/Laura Fernández

Uma singular rede de mulheres judias iemenitas e curdas, ultraortodoxas e palestinas de Jerusalém tentam conquistar seu espaço na indústria turística abrindo a porta de sua casa para turistas que desejam conhecer as entranhas de suas comunidades.

Com cinco filhos, Efrat Guiat, judia de origem iemenita, encontrou a forma de continuar cuidando deles ao tempo que pôde voltar à sua profissão como guia turística, contou, rodeada de plantações no idílico vale de Ein Kerem, em Jerusalém Ocidental.

“Estou feliz. Este projeto me permitiu compatibilizar minha maternidade com meu trabalho”, afirmou, enquanto balança nos braços uma das cabritas que cria para produzir o leite com que elabora o queijo que oferece aos seus clientes.

Rede de autonomia feminina

Efrat embarcou há quatro anos na iniciativa da prefeitura de Jerusalém “Mulheres e fábulas” e hoje, junto com outras dez moradoras de Ein Karem, consolidaram “uma rede de experiências” para turistas, com a qual arrecadaram entre quatro mil e oito mil shekels (R$ 3,5 mil e R$ 7mil) cada uma: “Consegui levar um salário para minha casa”, afirmou.

A iniciativa, estendida por diferentes bairros, reúne atualmente 60 mulheres, explica Yael Kurlander, diretora do programa municipal, que o Ministério do Turismo estuda transferir para outras cidades, como Tel Aviv.

Liderado por mulheres de diferentes comunidades, inclui o centro comunitário de ultraortodoxas PAAM, cujos vizinhos nem sempre veem com bons olhos a chegada de turistas; o último foi um grupo de chineses que comeu e participou do cotidiano na casa haredi de Naomi Miller em Mekor Baruch.

“Queremos quebrar os estereótipos e que as pessoas se aproximem de nosso entorno e veja como vivemos”, defendeu Miller desde o salão de sua casa, por onde passam seu marido e suas filhas com naturalidade, apesar do grupo de mulheres que almoçam ali.

Anfitriãs e guias

Como empreendedoras, este grupo de mulheres se propôs pôr sobre a mesa seus talentos e mostrá-los sem complexos: pintura, música e artesanato para gerar renda para suas famílias em comunidades onde o alto índice de fertilidade costuma relegar as mulheres ao papel de mãe.

Jerusalém, com 3,9 filhos por mulher, supera a taxa de fertilidade nacional de Israel, de 3,1, e nas comunidades judaicas a média é de 4,3 filhos por mulher, enquanto as palestinas têm 3,3, segundo o Escritório de Estatísticas de Israel.

“A maioria nunca tinha trabalhado antes”, detalhou Orly Ben Aharon, assessora da prefeitura em temas de mulher.

Como anfitriãs, oferecem oficinas, comida caseira e muitas confissões entre relatos sobre seus antepassados e de sua vida privada, criando um entorno de intimidade: o mais valorizado pelos visitantes que as contratam buscando outra forma de fazer turismo.

Na casa mais antiga de Ein Karem, bucólica cidade natal dos pais de São João Batista, segundo a tradição cristã e centro de peregrinação, a risonha Shoshana Karbasi, dança ladina, a música judaico-espanhola, para os visitantes, amostra de uma herança que começou na Espanha, passou pelo Marrocos e terminou em Jerusalém.

A heterogeneidade deste grupo de mulheres, com diferentes inquietações e bagagens culturais, enriquece uma iniciativa em que é possível conhecer a complexidade de Jerusalém, embora Kurlander reconheça que tem dificuldades para integrar palestinas, que vivem no leste ocupado da cidade.

Só conseguiram envolver seis do total de 60 participantes, como Samira, de Beit Safafa e com seis filhos, que encontrou nesta atividade a união de suas paixões com a possibilidade de ganhar algum dinheiro e ter o prazer da convivência em comunidade.

“Sem dúvida este programa abre um leque de oportunidades às mulheres que não podem deixar sua casa pelas características de sua comunidade”, explicou Mina Gene, do Ministério do Turismo de Israel.

A prefeitura forma as participantes em técnicas de negócio e empoderamento, o que devolveu à vida a mulheres como Dalia Harfof, judia de origem curdo-iraquiana, de 67 anos.

“O que me transformou foi ter conhecido a tanta gente diferente, mais que o dinheiro que ganho”, conta enquanto prepara doces curdos e presume das três mil pessoas de todas as partes do mundo que passaram por seu salão.

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Publicado em Destinos

Turismo TV <p>Bolso con estampados típicos españoles. Foto: Grupo LK</p>
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