PORTUGAL

Lisboa: uma vida noturna “cool”, ou seria fixe?

Fi.xe (Portugal) belo, agradável, bom, muito bom, bonito, confiável, “com estilo”

Vista de Lisboa. EFE/Manuel De Almeida.

O lazer e a vida noturna na capital de Portugal se modernizaram nos últimos anos e se adequaram a oferta e a demanda cada vez mais variada e cosmopolita com um novo desafio: renovar sem perder a essência.

A força de ser um destino turístico esteve acompanhada de grandes mudanças durante os últimos cinco anos em Lisboa, especialmente nos quesitos lazer e vida noturna, completamente renovados e, em alguns casos, quase irreconhecíveis.

Antigas tascas deram lugar a “gastrobares e mercados tradicionais abrigam hoje chefs da alta gastronomia. Pequenos pubs são agora lojas de jogos voltadas aos “hipsters”. E tudo isso se mistura a novas discotecas. Da tradicional “imperial” (cerveja) ao coquetel. Dos locais sórdidos aos grandes letreiros luminosos: Lisboa está renovada.

De um estilo informal aos saltos e roupas de marca, nada explica melhor estas mudanças na fisionomia da noite de Lisboa do que Cais do Sodré, uma das regiões mais badaladas da capital portuguesa e cujo aspecto e público são hoje radicalmente diferentes. Erguida como o novo polo “cool” da cidade, longe parece que ficou o tempo em que o Cais do Sodré era a área de festa tipicamente portuguesa. E mais longe ainda ficou a época na qual era um núcleo de prostituição decadente.

Imagen de la zona de restauración del Mercado da Ribeira,en Lisboa. Foto cedida por Mercado da Ribeira.

Imagem da área restaurada do Mercado da Ribeira, em Lisboa. Foto cedida por Mercado da Ribeira.

Arredores do Mercado

Desde maio de 2014, o centro do bairro se transferiu para o Mercado da Ribeira, onde o guia “Time Out” apostou por transformar o que antes eram pequenas barracas de carne, verdura e peixe em um espaço bem iluminado com dezenas de pequenos restaurantes.

Sushi, hambúrgueres artesanal, pizzas, gelatos italianos e croquetes dividem o protagonismo com pratos elaborados por cozinheiros prestigiados, que têm restaurante próprio em Lisboa e que lá refletem uma pequena mostra de sua produção. Por 10 ou 20 euros (R$ 40 a R$ 90) em média por pessoa, é possível se sentar em uma mesa e pedir um dos diferentes pratos, uma proposta que gerou tanto sucesso, que movimenta o lugar inclusive em dias de semana.

Muito perto do Mercado está a “Pensão Amor”, um antigo prostíbulo que agora é um dos bares mais “cool” da capital lusa, com preços sensivelmente mais altos do que a média e um ambiente moderno, com público de várias idades.

O local abriga um refinado “sex-shop”, uma sala de streptease, e até os banheiros são surpreendentes, já que as paredes são decoradas com bonequinhos em posições do Kamasutra. A conotação sexual do pub não faz do ambiente um lugar exótico, mas o contrário. O Pensão Amor é disputado por turistas e lisboetas modernos.

Ao redor, a imensa maioria de estabelecimentos é recém-criada e poucos clássicos se mantêm de pé, entre eles o “Jamaica” e o “Viking”.

Bairro Alto

Não muito longe dali está outra região movimentada por excelência: o Bairro Alto. Embora sua aparência também tenha mudado, o local mantém intacto o caráter de bairro, que tem dezenas de ruas perpendiculares cheias de pequenos pubs e restaurantes e onde é complicado, até para os moradores mais antigos, saber onde fica cada um.

Casas de fado e boates com música ao vivo do Brasil convivem com outros de ar mais cosmopolita, como um Irish Pub de estilo anglo-saxão e a Tasca Mastai, onde se toma o Spritz com autêntico sotaque italiano.

Em termos culinários as opções vão dos sabores indianos e tailandeses aos típicos produtos portugueses, passando por hambúrgueres artesanais e um novo bar “especializado” em oferecer um cardápio à base de mexilhão. Boa parte do público bebe na rua com o copo na mão, seja cerveja, vinho, mojito ou caipirinha, até que às três da madrugada, quando o “bairro” fecha e é preciso mudar.

O centro nervoso é o chamado “Erasmus Corner”, ponto estrategicamente situado junto ao Mirante de São Pedro e que concentra centenas de estudantes todos os fins de semana. Em pleno miolo está o “Cuba à la Vista”, o ponto favorito dos que buscam ritmos latinos na noite lisboeta, onde o espanhol é o idioma predominante, o reggeaton, o hino oficial.

La capital de Portugal lleva varios años adaptando su oferta de ocio a un público joven y diferente. En la imagen una de las zonas de copas de la ciudad. Foto cedida por el Ayuntamiento de Lisboa

Espaço para o alternativo

A capital portuguesa já não tem mais a imagem conservadora que teve no passado e hoje é para muitos “a nova Berlim” graças a sua oferta alternativa, em clara concorrência com Barcelona (Espanha).

Cada vez em maior número, desenhistas, arquitetos e engenheiros de todo o mundo se instalam as margens do Rio Tejo para realizar seus projetos. A proliferação de incubadoras de empresas de novas tecnologias, projetos de “street-art” em diferentes pontos do país e espaços de “co-working” são prova de isso. Esta tendência também tem reflexo no lado notívago da cidade, com uma oferta rica e variada, na qual cabem todos os estilos.

Para comer, “fazer um esquenta” e começar a noite os destaques são “Casa Independente” e “Primeiro Andar”, ambas nascidas como associações culturais.

A influência africana é palpável em quase todos os cantos da cidade e um bom exemplo é a rápida propagação do ritmo Kizomba. A música, que tem origem angolana é dançada de forma sensual, é dada em academias de dança, além de tocar nas principais rádios do país. O templo por excelência para os que buscam este tipo de som é o “B.Leza”, que já se tornou um clássico da noite portuguesa.

Em pleno bairro Alfama, considerado o mais rico da cidade, fica o “Café Teatro Santiago Alquimista”, um espaço cultural que reúne teatro, exposições e apresentações literárias com shows e encenações.

Também fora do circuito comercial está o “Clube Ferroviário”, ao lado da estação de trens de Santa Apolónia, cujo terraço oferece uma das mais belas vistas da cidade. No último dia 29, o bar fechou suas portas, mas a promessa é de retomar em três meses sob nova direção, segundo o jornal português “Público”.

Outro segredo que Lisboa esconde é o “Incógnito”. Uma porta azul iluminada por uma luz recebe os clientes, que já sabem de sua existência graças ao “boca a boca” e que querem desfrutar de noites com música eletrônica e indie.

En los muelles anexos al río Tajo en Lisboa, se han abierto docenas de negocios de ocio y restauración para todos los gustos y todos los públicos. Foto: Ayuntamiento de Lisboa

Nos píeres anexos ao Rio Tejo em Lisboa foram abertas dezenas de estabelecimentos para todos os gostos e estilos. Foto cedida pela Prefeitura de Lisboa.

A noite pra quem é da noite

A partir das três da madrugada, os bares e pubs baixam as portas e a festa continua nas boates da cidade. A rainha da madrugada é a “Lux” – que tem o ator americano John Malkovich como um dos proprietários -, que convida DJ’s de prestígio internacional e conta com um terraço com vista para rio e cuja decoração é sempre motivo de surpresa.

Com ela, em dimensão e popularidade, concorrem a “Urban Beach”, erguida as margens do Rio Tejo, e “Main”, no bairro de Santos, com ambientes separados em função da música, habitualmente mais comercial. Mais exclusivo é o “Lust”, na emblemática Praça de Comércio, espaço que geralmente abriga festas privadas e com uma clara estética vintage, com pouco mais de três anos de vida. A última incorporação é a boate “Place”, aberta há poucos meses e que já começa a criar público cativo na noite de Lisboa.

 

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Turismo TV <p>Bolso con estampados típicos españoles. Foto: Grupo LK</p>
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