RÚSSIA

Kazan, o lado oculto da alma russa

Situada perto do rio Volga, no meio do caminho entre Moscou e os Montes Urais, Kazan é a tradicional capital muçulmana da Rússia, mas, ao mesmo tempo, é uma clássica cidade europeia.

Kazán (Rusía). Foto. Cedida por TripAdvisor

Longe do frenesi da monumental Moscou e da imperial São Petersburgo, o espetacular Kremlin de Kazan permite olhar para os mil anos de história da república do Tartaristão. Mas não deixa o presente de lado, já que a cidade é a terceira maior da Rússia, e tem uma grande lista de atrativos para os que querem fugir do circuito tradicional do turismo no país.

Situada perto do rio Volga, no meio do caminho entre Moscou e os Montes Urais, Kazan é a tradicional capital muçulmana da Rússia, mas, ao mesmo tempo, é uma clássica cidade europeia.

Três personagens-chave da história da Rússia nasceram, viveram ou estudaram em Kazan: o ícone da literatura russa, Leon Tolstói; o fundador da União Soviética, Lênin, e o mítico cantor de ópera Feodor Chaliapin.

A Torre Inclinada

Durante seus primeiros 500 anos de história, Kazan esteve à margem do destino dos povos eslavos: foi um posto avançado dos búlgaros do Volga, se converteu ao Islã, fez parte da Horda de Ouro dos mongóis, e, no século XIV, foi capital de um canato tártaro independente.

O czar Ivan IV, o Terrível, teve que realizar três campanhas militares para finalmente derrotar os tártaros. Em 1552, Kazan se transformou na fronteira oriental do ainda incipiente Estado da Rússia.

Cristianizada à força, só Catalina, a Grande, foi quem voltou a autorizar a construção de mesquitas na cidade no fim do século XVIII.

Logo ao chegar a Kazan, após uma viagem de 12 horas de trem desde Moscou, é possível ver os sinais de todos esses cataclismos históricos. Começando por seu Kremlin, uma atalaia ladeada pelo rio Kazanka, afluente do Volga, de onde é possível ver grande parte da cidade.

Ao contrário dos históricos Kremlins de Moscou e Novgorod, o de Kazan é branco e sua beleza não está nas tradicionais igrejas ortodoxas com suas cúpulas douradas, que também estão presentes, mas sim uma magnífica mesquita.

Essa fortaleza de pedra é uma pequena cidade de 15 hectares, que reúne desde museus a templos, academias e edifícios oficiais, como a residência do presidente da República da Rússia.

O Kremlin de Kazan tem quase dois quilômetros de muralhas, que chegam a 12 metros de altura. Além disso, há oito torres, cinco delas redondas, e todas com teto de madeira, menos a de Spasskaya, que é a porta de entrada do edifício e é coberto com um campanário e um relógio.

Há ainda uma outra torre, mas que fica fora dos muros do Kremlin de Kazan: a Siuyumbike. Ela foi comparada com a de Pisa, na Itália, por também ser inclinada.

Atualmente, a inclinação é de dois metros. De tijolo vermelho, originalmente foi construída para ser um mirante. Tem 56 metros de altura e, de seu topo, é possível ver toda a região até o Volga.

Atualmente, sua inclinação é de dois metros. De tijolo vermelho, originalmente foi construída como mirante. Tem 56 metros de altura e desde em cima se pode ver até o Volga.

No entanto, o que mais atrai os turistas são as várias lendas que a rodeiam. A mais popular diz que, após derrotar os tártaros e destruir a antiga fortaleza, Ivan, o Terrível, quis se casar com uma bela jovem moradora do local. O nome da moça seria exatamente Siuyumbike, que aceitou a proposta, mas colocou como condição a construção de uma grande torre. Assim que a obra foi concluída, ela subiu no ponto mais alto e pulou.

A Majestosa Mesquita de Kul Sharif

O símbolo de Kazan, porém, é a mesquita de Kul Sharif, construída em 2005. Foi erguida no lugar onde se pensava que estava a que foi destruída por Ivan, o Terrível. Seu nome provém de um famoso poeta tártaro que morreu durante a queda da cidade para o impiedoso czar russo.

Construída em uma praça, sua magnitude impressiona especialmente durante a noite. Seu interior é de rocha e mármore branco, com exceção de sua cúpula e seus seis minaretes, que tem o teto na cor azul. No interior, há vários mosaicos e ricos tapetes cedidos pelo Irã.

A rua Bauman, que começa às margens do Rio Kazanka, ao lado do Kremlin, leva ao coração da cidade. Ela termina em uma pequena praça que recebe o relógio mais famoso de Kazan, um monumento original coroado pelas figuras de um poeta, uma musa e um Pégaso, se transformando em um dos pontos de encontro preferidos dos moradores.

Além de receber alguns dos melhores restaurantes da cidade, a turística rua é um museu ao ar livre da arquitetura czarista do princípio do século XX, reunindo de mansões de famílias ricas a lojas e teatros.

Um extravagante músico andarilho com violão na mão alegra diariamente os turistas, seja no verão ou no inverno, quando as temperaturas em Kazan chegam a 30 graus abaixo de zero.

Chaliapin foi batizado nesta rua, na Igreja da Aparição de Deus, cujo espetacular campanário é um dos locais mais fotografados de Kazan.

“Um milagre em tijolo vermelho”, dizem os turistas. Com seus 72 metros, a torre construída no final do século XIX é coroada por uma pequena cúpula ortodoxa que é vista de qualquer esquina da cidade.

Outro ponto que merece uma visita é uma estátua de um jovem Lênin, que estudou na prestigiada universidade local, ambas na rua Kremliovskaya. Não deixa de surpreender o então estudante com um grosso livro na mão, uma imagem que contrasta com as frequentes representações do líder bolchevique à frente das massas.

Se alguém ainda procura mais motivos para visitar Kazan, que está a 800 quilômetros ao leste de Moscou, eles existem. A cidade receberá várias partidas da Copa do Mundo de 2018, tanto da primeira fase como das oitavas e quartas de final, para as quais se construiu um magnífico estádio do outro lado do Kremlin.

 

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