MARROCOS

Hotel de luxo marroquino não pode servir álcool por causa de mesquita

O Four Seasons, que oferece seus quartos a partir de 300 euros a noite, abriu suas portas em novembro e foi oficialmente inaugurado em janeiro.

Foto: Michael Hefferman, cedida por Lonely Planet.

Um hotel de luxo da capital marroquina de Casablanca não consegue licença para vender álcool após seis meses de tentativas devido à proximidade de uma mesquita, área proibida para o consumo deste produto segundo lei de cinquenta anos que ainda rege o país onde o turismo atrai anualmente a cinco milhões de estrangeiros.

O Four Seasons, que oferece seus quartos a partir de 300 euros a noite, abriu suas portas em novembro e foi oficialmente inaugurado em janeiro com estardalhaço e presença do próprio ministro do Turismo, Lahcen Haddad.

No entanto, o estabelecimento ainda está batalhando para conseguir a prezada licença de venda de álcool, que não consegue obter “sem que nos deem razões concretas nem respostas claras”, segundo disse à agência Efe um porta-voz do hotel.

A título excepcional, o hotel conseguiu “licenças temporárias” para servir álcool em salões ou lugares de recepção, enquanto o Four Seasons de Marrakech dispõe sem nenhum problema de sua própria licença sem restrições.

Nem o ministro Haddad -contatado pela Efe- nem a Wilaya (governo civil) de Casablanca, nem o Ministério de Assuntos Islâmicos quiseram pronunciar-se sobre um assunto delicado no qual se mistura álcool, religião, turismo e imagem do país.

Os veículos de imprensa marroquinos que alertaram do caso asseguraram que a razão da proibição se deve à proximidade da mesquita Abdelaziz Al-Saud, em aplicação de um decreto vigente desde 1967 que regula o comércio de bebidas alcoólicas.

“É proibido explorar um posto de bebidas (alcoólicas) nas proximidades de edifícios religiosos, cemitérios, estabelecimentos militares, clínicos ou escolares, e em geral a proximidade de todo lugar onde se deve respeito e decência”, reza o artigo 4º daquela lei.

A “proximidade” não deixa de ser um conceito interpretável: “A distância mínima tomada em consideração será determinada pela autoridade administrativa local”, conclui o artigo do decreto.

O hotel Four Seasons se encontra na “Corniche” de Casablanca, o calçadão onde se concentra o lazer e a vida noturna da cidade, distante a apenas 300 metros da mesquita.

A mesma distância de mesquitas há outros hotéis e restaurantes de todo o país, os quais e em seu caso não se aplica a lei, graças precisamente à boa dose de interpretação das autoridades locais.

O decreto de 1967 contém, além disso, um artigo que beira o estrambólico, pois é violado diariamente em todo o país sem que caia nenhuma consequência sobre o infrator.

“Se proíbe vender ou oferecer gratuitamente bebidas alcoólicas ou alcoolizadas aos marroquinos muçulmanos”, afirma o artigo 28, que especifica que os infratores se arriscam a penas de entre um e seis meses de prisão.

As infrações a este artigo se “perpetram” diariamente em restaurantes, supermercados, bares e até em aeroportos: muçulmanos vendem álcool a muçulmanos com toda normalidade sem que o artigo 28 se interponha entre eles.

O Partido Justiça e Desenvolvimento, islâmico e a Frente do Governo Marroquino, estabeleceu algumas medidas contra o consumo de álcool no país, como a proibição de sua publicidade nos meios públicos.

Além disso, aumentou várias vezes as taxas sobre as bebidas alcoólicas, o que fez subir consideravelmente o preço de todas as bebidas alcoólicas.

As taxas se revertem nas finanças públicas, e viabilizaram em 2012 uma receita de 1.200 milhões de dirhams (uns 100 milhões de euros). Outra dos paradoxos do álcool em um país muçulmano.

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