Gastronomia de Dalí para despertar os sentidos

Exposições mostram a relação de Dalí com a comida.

Os Jantares de Gala, de Salvador Dalí.

Entre as diversas paixões do artista espanhol Salvador Dalí estava a cozinha, uma faceta que também levou para sua produção artística e que pode ser apreciada nas exposições “Os jantares de Gala” e “Os extravagantes sonhos de Pantagruel”.

As coleções, de litografias e fotomontagens, mostram como o artista catalão explorou o universos dos alimentos, apresentando-os, intervindo e reiterpretando-os.

Imagem que faz parte dos Jantares de Gala, de Salvador Dalí.

Imagem que faz parte dos Jantares de Gala, de Salvador Dalí.

Estas coleções estão atualmente em cartaz na galeria de arte Pancho Fierro, no centro histórico de Lima. A capital do Peru celebra a gastronomia quase como um culto, e é considerada uma das cidades mais interessantes da América Latina para experimentar novos sabores.

A mostra reúne 37 obras da “interpretação da gastronomia e dos produtos através do imaginário de Dalí”, explicou a curadora Paola Vañó.

A cozinha a partir da arte surrealista de Dalí, é “uma metáfora do amor à preparação e aos alimentos”, acrescentou Vañó.

Prazer muito além da comida

Elaboradas nos anos 70, as coleções contêm fotomontagens, baseadas em mais de uma centena de receitas elaboradas pelos cozinheiros do restaurante francês Maxim’s.

“Em algum momento da vida, Dalí quis ser cozinheiro. Ele foi o primeiro a cunhar o termo ‘gastro-estético'”, lembrou a curadora da exposição, Paola Vañó.

“Os jantares de Gala” é formada por 12 gravuras, nas quais Dalí mesclou alimentos com outras peças dalinianas, como aves e auto-retratos, para dar mais alma aos objetos.

A curadora explicou que “há certos alimentos que provocavam Dalí, como a alcachofra”.

“Ele tinha recorrências com estes elementos, e criou uma série visual que nos convida a mergulhar no mundo dos sentidos”, afirmou Vañó.

A irrupção era parte do selo do artista, expressada nos “Extravagantes sonhos de Pantagruel”, uma coleção de 25 reinterpretações das gravuras de François Desprez, resgatadas do século XVI.

Pantagruel

Pantagruel

Nesta coleção, Dalí fez “uma referência a personagens apresentados de forma híbrida, um pouco humanos, um pouco animalescos, mostrados como uma fauna de personagens que interagem também com alguns alimentos e com os prazeres da gastronomia”, detalhou Vañó.

A exposição permite apreciar ilustrações que exploram espaços pouco percorridos na época, como costelas de bezerros, carne de aves e lagostins, em que o próprio Dalí aparece nesse banquete imaginário.

“Cada uma destas gravuras é uma explosão de sabores, sensações, um agradecimento para todos os sentidos; chegamos até a escutar coisas, porque Dalí foi um homem que explorou todas as camadas e todas as possibilidades dos sentidos”, explicou, ao destacar como “a gastronomia é um prazer que não é só visual” e acrescentou que, como nas obras de Dalí, “convoca todas nossos sentidos”.

Turismo TV <p>Bolso con estampados típicos españoles. Foto: Grupo LK</p>
Ver vídeo

Quais lembrancinhas os turistas levam da Espanha? (em espanhol) duração: 2.05

Ver mais vídeos

As mais no Efetur

Tags