TATUAGEM

Feira internacional de tatuagem promete eleger Miss Tattoo em São Paulo

Tattoo Week, que chega a sua 7ª edição, atrai milhares de interessados no mundo da tatuagem e do bodypiercing

EFE/SEBASTIÃO MOREIRA

A seleção da mulher tatuada mais bonita do Brasil deve atrair os olhares de quem passa pela 7ª edição da Tattoo Week, evento que acontece este fim de semana na cidade de São Paulo. O Miss Tattoo, como é chamado o concurso, é a porta de entrada para tornar-se uma modelo no mundo da tatuagem e concede à vencedora o direito de participar de uma competição internacional, realizada na Colômbia.

A organização selecionou 36 garotas, dentre as inscritas previamente, para participar dos desfiles, tendo como critérios a beleza das garotas, sua personalidade e, principalmente, as transformações no corpo de cada uma. Delas, serão escolhidas nesta sexta-feira 15 finalistas, que disputarão o título no sábado.

“Para ser uma Miss Tattoo é preciso, além de beleza, mostrar sua personalidade, através da relação entre as tatuagens que fazemos e a liberdade que sentimos com relação ao nosso corpo”, conta a vencedora do concurso em 2014, Bruna Barros. “É um evento que valoriza a mulher, que tem como intenção inseri-la num universo ainda tão masculino”.

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Bruna, que será a apresentadora do evento neste ano, explica que sua paixão pelas tatuagens floresceu junto com o amor por seu esposo. “Conheci meu marido quando fiz minha primeira tatuagem, que foi em homenagem ao meu pai. Ele era o tatuador e, conforme começamos a namorar, fui conhecendo melhor todo esse mundo”.

A partir daí, Bruna fez diversas modificações no corpo, entre elas mais de 50 tatuagens, piercings e inserção de objetos de silicone. Além disso, tornou-se inspiração para as candidatas desse ano. “Hoje sou tatuadora junto com o meu marido, além de ser modelo. Vivo das modificações do meu corpo.”

A feira

A 7ª edição da Tattoo Week acontece no Expo Center Norte, em São Paulo, e é a maior feira do gênero no mundo. Com a expectativa de receber cerca de 70 mil pessoas durante o fim de semana, o evento conta com shows, workshops, concursos, prêmios e diversas atrações, contando com 650 stands e espaços de alimentação e infantil.

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Segundo o organizador do evento, Enio Conte, a feira alia a promoção do mundo da tatuagem com diversas parcerias comerciais. “Nossos objetivos são popularizar a arte da tatuagem e quebrar os preconceitos, promovendo o intercâmbio com os mais diversos públicos. Além disso, apresentamos as novas tendências para o setor”, explica.

O evento foi realizado pela primeira vez em 2011, na capital paulista, e desde então acontece tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, atraindo a mais diversa variedade de pessoas. “Nosso evento é a prova de que não apenas roqueiros, skatistas e surfistas modificam o corpo, mas que isso é uma tendência que se espalha cada vez mais”, afirma Conte.

Conforme dados dos organizadores, metade da população mundial possui ao menos uma tatuagem.

Segurança

Um dos focos da feira deste ano é a de consolidar a tatuagem como uma atividade segura, tanto para o cliente como para o tatuador. Para isso, serão apresentadas medidas que vêm sendo testadas e adotadas na Europa, além da sugestão da elaboração de um protocolo informativo de cada tatuagem realizada.

No protocolo, seriam detalhadas todas as informações a respeito da tatuagem, desde as agulhas e tintas e seus respectivos registros sanitários até características específicas de cada cliente. Desse modo, a identificação da origem de eventuais problemas se tornaria mais simples e rápida.

No domingo, será realizado um workshop sobre legislação relacionada à profissão, biossegurança, primeiros socorros, esterilização, contaminação cruzada e descarte de resíduos diversos.

Outro ponto importante é a consciência de cada profissional. “Para ser um bom tatuador, não basta ser um bom artista. Nós manipulamos a pele, que é a proteção do corpo”, explica o tatuador Jorge Mitsunaga.

O profissional, há mais de 20 anos no mercado, utiliza diversos equipamentos de proteção, como luvas, agulhas esterilizadas e máscaras. ”A tatuagem é uma abertura da pele para colocação de tinta. Assim, temos que evitar o contato de agentes que podem gerar inflamações, como a saliva ou a sujeira das mãos”.

Mitsunaga, que concorrerá, junto com a cliente Marina Saito, ao prêmio de melhor tatuagem, também destaca que a evolução das tecnologias contribui para o bem-estar dos envolvidos. “Há algum tempo usávamos equipamentos que causavam muita dor e eram arriscados. Hoje, com responsabilidade, podemos evitar tudo isso”, finaliza.

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As telas

Os tatuadores consideram que a pele sobre a qual trabalham são como telas artísticas. Marina conta que se sente assim e, mesmo que não vença, ficará satisfeita. “Estou pintando uma índia porque gosto do desenho, e acho que fazê-lo é um desafio, tanto para mim como para o Jorge. Será maior do que todas que já possuo”.

Fazendo na feira sua 23ª tatuagem, ela afirma que o que a leva a modificar o corpo é uma paixão inexplicável. “Minha entrada no mundo da tatuagem foi através da tentativa de esconder uma cicatriz. A partir disso, me encantei e procuro cada vez mais me superar”, diz.

Já Vando Moura, que antes da feira possuía apenas uma tatuagem no braço, decidiu ousar no evento, atraindo os olhares de muitos curiosos. Postado de bruços, praticamente nu, ele expõe as costas e os glúteos para realizar o desenho de um grande tigre. “Gosto do meu tatuador e decidi dar a ele um voto de confiança”.

Os stands realizam os mais diversos tipos de tatuagem, desde frases simples até desenhos completamente artísticos. Os preços variam muito de acordo com as características da tatuagem.

“O desenho e o tamanho interferem no valor. Uma tatuagem grande e bem elaborada é muito mais cara que uma mensagem simples e pequena. Além disso, tem o local: em partes do corpo com pele fina e sensível, como nas mãos ou nas costelas, o trabalho é mais caro.”, conta a tatuadora Priscila Mauan.

Questionada sobre sua tatuagem, com desenhos de flores coloridas dos ombros até o antebraço, ela estipula o valor que cobraria para fazê-lo. “Acho que no mínimo uns três mil reais”