ARTE

“Gaudí: Barcelona 1900” mostra essência do gênio

Obsessivo com a perfeição, os bastidores e as técnicas do arquiteto Antoni Gaudí estão esmiuçados em uma exposição em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

A exposição “Gaudí: Barcelona 1900” revela a “essência” do arquiteto espanhol (1852-1926) através de 46 maquetes e 25 peças, entre objetos e móveis, criados pelo mestre catalão.

BRA50. SAO PAULO (BRASIL), 19/11/2016.- Fotografía del 18 de noviembre de 2016 de una maqueta de la basílica Sagrada Familia que hace parte de la exposición "Gaudí: Barcelona 1900", del Museo Nacional d'Art de Catalunya (MNAC), en el Instituto Tomie Ohtake, en Sao Paulo (Brasil). La exposición abrirá sus puertas al público el próximo domingo y se extenderá hasta el 5 de febrero. EFE/Sebastiao Moreira

Antoni Gaudí dizia que a primeira qualidade de um objeto para ser belo é cumprir a função à qual está destinado. Obsessivo com a perfeição, o gênio aplicou esse princípio aos seus projetos, que vão desde uma cadeira até a Sagrada Família, esmiuçados em uma exposição que está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

A exposição “Gaudí: Barcelona 1900” revela a “essência” do arquiteto espanhol (1852-1926) através de 46 maquetes e 25 peças, entre objetos e móveis, criados pelo mestre catalão.

A exposição deixa de lado o Gaudí dos postais e mostra o artista que revolucionou os conceitos de arquitetura do começo do século XX, quando Barcelona começava a sentir as mudanças provocadas pela Revolução Industrial.

O arquiteto, à frente do seu tempo, “criou uma linguagem própria e universal, sem rótulos, que ainda está sendo assimilada, destacou Raimon Raimis, um dos curadores da exposição.

A técnica da Sagrada Família

Gaudí: Barcelona 1900

Gaudí aplicou a geometria regrada, técnica que pode ser percebida em seu máximo esplendor em sua interminável obra prima, a Sagrada Família, encomenda que recebeu com apenas 31 anos.

Os segredos da Sagrada Família estão expostos em São Paulo através de modelos tridimensionais que ressaltam detalhes de sua arquitetura e repassam as técnicas usaadas por Gaudí para levantar a basílica católica de Barcelona, que só deve estar terminada em 2026.

 

O mestre inspirou sua arquitetura na natureza, que observava minuciosamente desde pequeno, quando contraiu uma doença que o obrigou a passar longas temporadas no campo.

As colunas da Sagrada Família, que podem ser vistas de perto na exposição, são ligeiramente inclinadas e bifurcadas como os galhos de uma árvore, o que demonstra a observação do arquiteto pelos movimentos da natureza.

Funcionalidade e ergonomia em Gaudí

Gaudí também aderiu os princípios ergonômicos em seus desenhos quando esse conceito nem existia, e criou soluções estruturais carregadas de simbolismo, especialmente religioso.

Essa ergonomia é perceptível em móveis e objetos, que vão desde puxadores de porta de metal a peças em cerâmica e madeira que evidenciam como a criação artesanal conseguiu fundamentar a indústria.

A influência do modernismo catalão

A genialidade de Gaudí, lembrou o curador, faz parte do contexto cultural e artístico do modernismo catalão, apresentado em uma sala paralela através de esculturas, pinturas e móveis criados por alguns dos contemporâneos do arquiteto.

Entre eles destacam os pintores Ramón Casas e Santiago Rusiñol e “esembliers” (artesãos de alto nível) como Gaspar Homar e Joan Busquets, que decoraram casas da burguesia catalã da época.

Gaudí, que não se alinhou ao modernismo e inclusive o criticou, não teria tido espaço como arquiteto sem ele, destacou Ramis.

“A burguesia catalã se comprometeu com a cultura. Se Gaudí não tivesse tido um Güell por trás talvez nunca tivesse sido Gaudí, não tivesse tido um espaço para mostrar o que fazia”, lembrou o curador.

O Park Güell

Eusebi Güell foi o principal mecenas de Gaudí, a quem fez grandes encomendas, entre elas o famoso Park Güell, na parte alta de Barcelona, que nasceu com o objetivo de ser uma “cidade jardim”.

“O Park Güell nasceu como uma cidade jardim, para comercializar seus lotes, mas nenhum foi vendido, e acabou transformado em um parque. Era uma ideia muito moderna para a Barcelona da época”, ressaltou Ramis.

A ousadia de Gaudí levou seus professores a dizer que o arquiteto, ou era “um louco ou era um gênio”, e Güell foi um dos que apostou na segunda opção.

A exposição “Gaudí: Barcelona 1900” está em cartaz no Instituto Tomia Ohtake, em São Paulo, até 5 de fevereiro.

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Publicado em Cultura     Destinos

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