COZINHA BRASILEIRA

Daniel Alves: um embaixador da alta gastronomia brasileira no exterior

O novo projeto se chama “As Itinerantes” e propõe a realização de jantares em locais exclusivos – como o palácio ocupado pelo Instituto Italiano de Cultura em Madrid -, escolhido para sediar o segundo evento após a estreia em Barcelona. Além da boa comida, há também música ao vivo de qualidade.

Todos conhecem as habilidades de Daniel Alves em campo, mas poucos sabem de suas qualidades como “gourmet” e de sua responsabilidade no FOgO, um projeto de divulgação da cozinha brasileira no exterior através de jantares itinerantes e serviços de catering.

Como todo atleta, o jogador cuida de sua alimentação, mas seu gosto pela culinária o levou a contratar como chef pessoal o compatriota João Alcântara, conhecido no Brasil por protagonizar o programa “Homens Gourmet”, em que reinventa os pratos brasileiros em receitas criativas e saudáveis.

A dupla, sabendo que a riqueza gastronômica do país segue oculta para o mundo – os estrangeiros conhecem pouco além do rodízio de carnes e da feijoada -, embarcou há um ano no FOgO. Mas pretende ampliar o público devido à grande demanda.

O novo projeto se chama “As Itinerantes” e propõe a realização de jantares em locais exclusivos – como o palácio ocupado pelo Instituto Italiano de Cultura em Madrid -, escolhido para sediar o segundo evento após a estreia em Barcelona. Além da boa comida, há também música ao vivo de qualidade.

“Costumo dizer que minha cozinha é brasileira com influência mediterrânea, mas é mentira. É uma cozinha criativa, com alma, onde a verdadeira influência é das pessoas”, brincou Alcântara, de 31 anos, em entrevista à Agência Efe, reconhecendo que encontrou em Daniel Alves o aliado perfeito.

“É um grande amante da cozinha, temos essa paixão em comum”, afirmou, revelando também outro gosto compartilhado pela dupla.

Desde que foi diagnosticado com diabetes, Alcântara desenvolveu uma paixão pelo esporte, passando a cuidar mais de sua alimentação, além de ter estudado nutrição.

“Não gosto da palavra dieta. A comida tem que transmitir prazer, saúde, sabor e cultura. Meus menus são sempre equilibrados”, declarou Alcântara, com pratos que tentam transportar os clientes ao Brasil: dadinho de tapioca em tinta de lula e mel de trufas, mandioca brava, chuchu em molho de moqueca, gaspacho de açaí, arroz meloso de frango e quiabo crocante, vieira com purê de mandioca e batata, entre outros.

Daniel provou todos. E gosta de tudo, segundo o chef.

“É muito bom criar pratos novos. A moqueca é seu favorito e quase todo dia ele come feijão”, disse Alcântara, que planeja os cardápios seguindo o calendário de partidas do lateral-direito da seleção brasileira e do Barcelona.

Se “As Itinerantes” são quase clandestinas – o local e a hora dos jantares são anunciados aos clientes no último instante -, a forma pela qual o chef consegue trazer alguns ingredientes também é um “segredo”, escondido bem no fundo das malas usadas nas viagens o Brasil e a Espanha.

Entre eles, há um preferido: “mandioca, mandioca e mais mandioca”.

“O Brasil tem a maior despensa do mundo e 60% de um prato depende de um bom produto”, destacou Alcântara, admirador confesso de seu compatriota Alex Atala, o chef que mais trabalhou por divulgar a gastronomia brasileira no exterior e cujo restaurante (D.O.M) foi considerado o Melhor da América Latina em 2014.

Apesar do mistério sobre “As Itinerantes”, os próximos jantares já tem local definido: Brasil, Barcelona, Girona e Marbella (Málaga).

“As quotas são limitadas, não mais que 30 pessoas. Criamos ambientes especiais, com música ao vivo, em lugares incríveis. Queremos que os clientes vejam um toque diferente do que é o Brasil, muito mais do que feijoada e caipirinha”, comentou a coordenadora do FOgO, Teresa Martí.

Consciente de que jogar como visitante é sempre mais complicado do que em casa, Alcântara garantiu que não teme a “pressão” do novo projeto.

“Por enquanto prefiro isso que abrir meu próprio restaurante, que, sim ofereceria mais facilidades para cozinhar. Mas também implica mais rotina e não gosto nada disso. Tenho que ser surpreendido e surpreender diariamente”, concluiu.

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