Córdoba: alma religiosa, gastronômica e natural da Argentina

A região argentina de Córdoba reúne recursos naturais, relíquias históricas, um legado jesuítico, museus como o de Che Guevara, e um cheiro de churrasco impossível de resistir.

A Catedral de Córdoba. Foto: EFETUR/Cedida pelo Turismo de Córdoba

A província argentina de Córdoba, localizada no coração do país, surpreende pelo coquetel de belezas naturais, culturais e gastronômicos distribuídas entre seus mais de 165 mil quilômetros quadrados.

Paradas imprescindíveis

Longe ainda do centro histórico da capital, vale a pena fazer uma parada no caminho para visitar a cidade de Alta Gracia, a 38 quilômetros de Córdoba, onde fica a Estância Jesuítica local, que funcionou como estabelecimento agrícola e de pecuária administrado pela ordem dos jesuítas, declarado Monumento Histórico Nacional em 1941 e Museu Nacional Casa do vice-rei Liniers em 1971.

Este espaço faz parte do sistema de Estâncias Jesuíticas de Córdoba, declaradas Patrimônio Mundial pela Unesco em 2000, junto com as de Caroya, Jesus Maria, Santa Catarina, La Candelaria e Santo Inácio.

Estância jesuítica de Alta Gracia. Foto: EFETUR/Cedida pelo Turismo de Córdoba

Estância jesuítica de Alta Gracia. Foto: EFETUR/Cedida pelo Turismo de Córdoba

Após atravessar a imponente fachada, estão as antigas estâncias do século XVII como a casa principal, a igreja, e as salas obreiras, reminiscências do passado que permitiu o desenvolvimento econômico e administrativo da região.

Lar de ícones

Não muito longe fica outro dos tesouros locais, uma casa-museu que homenageia Ernesto Che Guevara, e que percorre as várias fases de um dos comandantes da revolução cubana. Ao entrar, há uma reação comum em todos os visitantes, de certo espanto por conhecer de perto a formação de uma personalidade do século XX que despertou amor e ódio em partes iguais.

Embora tenha nascido em Rosário, a família de Che se mudou para esta casa por prescrição médica, já que o clima seco da região ajudaria a combater os ataques de asma que ele sofria. Ali há inúmeras lembranças, objetos e fotografias que reconstroem os passos de Ernesto antes de se transformar no ícone mundial Che.

Lojinha de souvernirs de Che Guevara em frente a casa do líder revolucionário. Foto: Efetur/B.Mapelli

Lojinha de souvernirs de Che Guevara em frente a casa do líder revolucionário. Foto: Efetur/B.Mapelli

A poucas ruas fali fica a casa onde viveu o famoso compositor espanhol Manuel de Falla durante seus últimos anos de vida. No chalé dos Espinillos, seis salas exibem objetos pessoais, livros, mobília, vestimentas, baixela, correspondências e fotografias, além de partituras manuscritas e impressas do autor de obras como “El Amor Brujo”, “Sombrero de Tres Picos” e “La Vida Breve”.

Admire Traslasierra

Vale a pena passear pelos Altos Cumbres para chegar a Traslasierra. Mas antes, no caminho, pare para se encantar com o visual espetacular que o caminho nas alturas presenteia. O horizonte ao entardecer não tem preço.

No meio do caminho fica a cidade turística de Mina Clavero, atravessada pelo rio homônimo que faz as vezes de praia, perfeita para nadar e ficar preguiçosamente ao ar livre. Nesta charmosa cidade há hotéis como o Apart Hotel Costa Serrana, com cabanas de madeira independentes integradas em plena natureza; e uma ampla oferta de lazer que inclui cassino, bingo, casas noturnas e bares.

Caminho dos Altos Cumbres de Córdoba. Foto: efetur/B.Mapelli

Caminho dos Altos Cumbres de Córdoba. Foto: Efetur/B.Mapelli

Estas terras também acolhem a Villa Cura Brochero, onde o padre gaúcho, José Gabriel do Rosário Brochero, realizou grande parte de seu trabalho com os mais humildes. Fazem parte do legado deste missionário a Casa de Exercícios Espirituais, o Colégio de Meninas; canais de irrigação, moinhos e centros de estudo.

Surpresa é o que o Museu Rocsen provoca, também no Vale de Traslasierra, um espaço privado inaugurado em 1969 pelo francês Juan Santiago Bouchón. Surpreende a imensa e multifacetada exposição formada por mais de 20 mil peças relacionadas às ciências, à arte e à tecnologia.

Com um pouco de sorte, os turistas podem tropeçar no dono deste espaço, um homem carismático que deixa o público boquiaberto enquanto narra, entre brincadeiras e reflexões, a história por trás das múmias, trajes, pinturas, borboletas, crânios e automóveis que brilham ali apesar do pó que os envolve. Faça uma foto entre estas relíquias, vale a pena.

O charme da capital

Mas Córdoba é muito mais. Em sua capital, alma da região, vive quase metade da população da província. Ali está o popular conjunto monumental da Praça San Martín, no centro histórico, e lugar de encontro de locais, viajantes, cachorros, pombas, músicos e ambulantes.

Ao redor da praça, dominada por um monumento de bronze do general San Martín, ficam joias como a Catedral, uma obra de arquitetura colonial americana, cujo interior acolhe um sacrário de prata de 1804, as grades do pórtico central e seu filigrana de ferro, e diferentes afrescos que valem a pena contemplar.

Também rodeiam a praça outros edifícios como o Cabido, a Passagem Santa Catarina, a Igreja Mosteiro Santa Teresa e Museu das Carmelitas Descalças.

Importante também é o quarteirão jesuítico, onde fica a Igreja da Companhia, a Capela Doméstica, a Residência, o edifício histórico da Universidade Nacional de Córdoba e o edifício do Colégio Nacional de Monserrat, construções que concentram expressões de arte barroca.

Sem esquecer de outras paradas de visita obrigatória como o templo Sagrado Coração de Jesus, o passeio do Bom Pastor, o Museu Evita Palacio Ferreyra, o Museu Caraffa, o Parque Sarmiento e a Casa de Governo.

Esqueça a dieta

Churrasco argentino en Córdoba. Foto: Efetur/Cedida por Turismo de Córdoba

Churrasco argentino en Córdoba. Foto: Efetur/Cedida por Turismo de Córdoba

Terminamos a viagem em frente aos sabores da região, um baile de cheiros e contrastes que caracterizam a cozinha crioula. Falar da Argentina é falar de suas famosas carnes que encantam o turista, desde restaurantes como La Parrilla, famoso por servir cortes tão saborosos como entrecôte, bife de chouriço, matambre (tipo de corte tipicamente argentino do boi, entre a pele e as costelas). Empanadas crioulas, salame, pejerrey, truta, fernet com Coca-Cola, e torta de chocolate são outras das propostas que fazem a alegria à mesa. E que ninguém saia de Córdoba sem tentar a sorte com o mate, um chá muito popular na região, parecido com o chimarrão gaúcho, mas que nem sempre conquista o viajante.

Turismo TV <p>Bolso con estampados típicos españoles. Foto: Grupo LK</p>
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Quais lembrancinhas os turistas levam da Espanha? (em espanhol) duração: 2.05

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