BOLÍVIA GASTRONOMIA

Cochabamba quer fazer valer seu título de “capital gastronômica da Bolívia”

A fama da gastronomia do departamento é amplamente conhecida em toda a Bolívia, onde é comum ouvir que os habitantes de Cochabamba “vivem para comer e não comem para viver”

  • Cozinheiras preparam pratos tradicionais em Cochabamba. EFE
  • Cozinheiro prepara o tradicional chicharrón em Cochabamba. EFE

O departamento de Cochabamba, cuja forte tradição na cozinha lhe rendeu o título de “capital gastronômica da Bolívia”, tem agora o desafio de aprofundar a interação entre todos os elos da corrente para que a indústria culinária seja um motor de desenvolvimento regional.

Essa foi uma das principais conclusões de um estudo pedido pelo governo de Cochabamba ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para potencializar a culinária dessa região e fazer valer seu título de capital gastronômica do país, reconhecido por uma lei nacional em 2011.

“A gastronomia em Cochabamba tem um grande potencial para ser uma referência da indústria gastronômica e fator fundamental no seu desenvolvimento regional”, explicou à Agência Efe a espanhola Claudia Suaznábar, especialista em Desenvolvimento do Setor Privado no BID.

Mas para poder desenvolver plenamente esse potencial gastronômico e turístico e se projetar em nível internacional, o departamento “deverá aproveitar melhor as oportunidades, o que exige uma interação mais profunda dos restaurantes com a agricultura rural“, sobretudo com a de caráter orgânico, acrescentou.

Suaznábar, que trabalha na Bolívia há três anos, foi a coordenadora do estudo, confiado pelo BID a dois especialistas internacionais: o ex-vice-ministro de Indústria peruano, José Luis Chicoma, e o belga-colombiano Jean Edouard Tromme, ambos vinculados durante muito tempo à “explosão gastronômica” no Peru.

A fama da gastronomia do departamento é amplamente conhecida em toda a Bolívia, onde é comum ouvir que os habitantes de Cochabamba “vivem para comer e não comem para viver”, como reconheceu há alguns dias o governador regional, Iván Canelas; ou que essa região é o lugar onde se come melhor e em abundância.

“As pessoas vêm comer em Cochabamba. Vem mais gente comer em Cochabamba do que em La Paz e Tarija”, indicou a especialista do BID.

A região “conta com um cardápio amplo e gostoso baseado em produtos locais e tradição histórica, com o qual os habitantes locais se identificam com uma grande variedade de temperos, aromas, ingredientes, texturas e sabores que a transformam em uma gastronomia única”, acrescentou Suaznábar.

Parte desse cardápio inclui pratos típicos, como o ‘silpancho cochabambino’, uma espécie de milanesa muito fina, mas enorme (a carne costuma cobrir todo o prato), servida com arroz, batatas fritas, ovo e tomate e cebola picados.

Outras opções são o ‘pique a lo macho’, preparado com carne, salsicha, chouriço, cebola, tomate, batatas fritas e tiras de pimentão; e o ‘chicharrón’, que são pedaços de carne de porco fritos e acompanhados de ‘chuño’ (batata desidratada), milho cozido e ‘llajua’, o tradicional molho picante boliviano.

Outro prato tradicional é o ‘Fideos Uchu’, uma espécie de guisado de macarrão que também leva batatas, carne picada ou frango, ervilhas, feijão e salsinha picada.

Em Cochabamba também é forte a tradição de fazer feiras para, segundo Suaznábar, “exibir” os produtos e pratos locais, bem como para resgatar costumes ancestrais.

É o caso da “Ñawpa Manka Mikhuna” (Comida dos nossos avôs, em quíchua), que anualmente promove as tradições culinárias, culturais e sociais de Cochabamba.

Com uma tradição tão viva e potente, e o título de “capital gastronômica da Bolívia”, Cochabamba não quis ficar de fora do “boom” da gastronomia vivido nos últimos anos em outras regiões bolivianas e procurou a ajuda do BID para potencializar esse setor, explicou Suaznábar.

“Então o estudo tentou responder a essa pergunta: como a gastronomia pode, de fato, se transformar em líder em desenvolvimento econômico e social de um território?”, indicou.

Assim, a pesquisa encontrou em Cochabamba os elementos “que permitem pensar que a gastronomia pode ser uma ferramenta de desenvolvimento do departamento”.

Claudia insistiu que para conseguir isto se faz necessária “a interação entre atores do setor” e impulsionar “propostas e ações que enriqueçam o patrimônio gastronômico de Cochabamba”.

Com estas ações, explicou a especialista, também devem ser reforçadas as capacidades de “todos os atores do ambiente gastronômico, desde os produtores até os garçons e cozinheiros, com firmes campanhas promocionais”.

Também é preciso fazer um “esforço” para melhorar o cumprimento de normas de qualidade e segurança no cultivo e manuseio dos alimentos, “garantindo um bom cuidado com os produtos desde a fazenda até o prato”, detalhou.

“Tudo isto resultará um reposicionamento do renome de Cochabamba em nível nacional para, com o tempo, transformar a região em referência internacional“, finalizou Claudia.

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