POLÔNIA

Breslávia: Cidade cheia de energia positiva no coração da Polônia

No coração da Europa, a cidade transmite boa energia, apesar das dificuldades que passou ao longo de sua história.

  • Vista general del río Oder en Wroclaw, Polonia. Wroclaw o Breslavia es una de las ciudades más pujantes de Polonia que acaba de ser nombrada Capital Europea de la Cultura 2016. EFE/Maciej Kulczynski

  • Ubicada en el corazón de Europa, Breslavia transmite buena energía a pesar de las dificultades vividas a lo largo de su historia. Con un enorme espíritu de superación, Wrocław -su nombre en polaco- es ahora una ciudad joven y vibrante que acaba de ser nombrada Capital Europea de la Cultura 2016.

Um bom percurso pela cidade começa na praça maior de Breslávia (Rynek Gowny), uma das maiores da Europa e o centro da parte antiga medieval.

Conhecida como a Veneza da Polônia, a vida gira em torno do rio Odra, que faz com que Breslávia descanse sobre 12 ilhas, unidas por mais de cem pontes.

A cidade tem um espírito artístico e alternativo, aqui existem amantes do jazz, das artes gráficas e da escultura. A isso se soma o ambiente estudantil (150 mil estudantes de uma população de 630 mil habitantes), o que faz com que a noite seja espetacular.

Inclusive no inverno, coberta de neve, a colorida cidade polonesa de Breslávia continua sendo um lugar que vale a pena visitar. Este ano, além disso, tem um ponto a seu favor: é a Capital Europeia da Cultura 2016 e, o mais importante, ainda não se desgastou por causa do turismo em massa como outras cidades da região.

Estamos na capital da Silésia polonesa, no sudoeste da Polônia, uma região de tradição mineradora que faz parte do território polonês apenas desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Antes tinha estado sob domínio alemão. De fato, esta cidade era a mais importante da Alemanha ao leste de Berlim.

Miles de ciudadanos se congregan para celebrar la llegada del Año Nuevo en Breslavia (Polonia el pasado 1 de enero de 2016. EFE/Maciej Kulczynski

EFE/Maciej Kulczynski

Mas em Breslávia todos os alemães foram deportados quando a região passou para o controle polonês em virtude dos acordos de Yalta e Potsdam.

A Polônia perdeu cidades ao Leste que passaram a ficar sob controle da União Soviética e, como contrapartida, ganhou cidades que estavam a Oeste, entre elas Breslávia.

A mais aberta e alternativa da região

A cidade está em um lugar que serve de perfeito exemplo de como as fronteiras polonesas após a Segunda Guerra Mundial se modificaram e a população foi transferida de uma região para a outra.

Esta é a razão pela qual Breslávia tem uma relação especial com a atual cidade ucraniana de Leópolis (Lvyv), já que era daí de onde provinham a maioria de pessoas que chegaram para repovoá-la após 1945.

A história é fascinante. Conhecê-la permite desfrutar muito mais de uma cidade que, talvez pelo fato de ter uma população “nova”, é hoje talvez a mais aberta, alternativa e europeia da Polônia.

Um bom percurso pela cidade começa na praça central de Breslávia (Rynek Gowny), uma das maiores da Europa e centro da parte antiga medieval. Antes de continuar, é conveniente se deleitar com o prédio do Prefeitura, uma construção medieval tardia do gótico silesiano, enfeitado com um magnífico relógio do século XVI.

No Rynek Glowny se encontra bons restaurantes e cafeterias e, se é verão, o turista pode se sentar em um de seus terraços e desfrutar da vida da praça. Os edifícios coloridos renascentistas e barrocos o transportam para um conto dos irmãos Grimm.

Se nesse ponto se percebe um doce cheiro de rosas e tulipas, que certamente vem de algum dos muitos postos de flores que ficam na vizinha praça do Sal (plac Sólne). Uma pracinha onde ficam a maioria das lojas de flores da cidade. Aqui se pode comprar flores até altas horas da madrugada, algo habitual na Polônia quando se tem um primeiro encontro.

De lá pode-se visitar o edifício central da universidade, uma bela construção barroca levantada durante o período Habsburgo (a Breslávia pertenceu ao império austro-húngaro antes de passar para controle da Prússia). A dica é admirar sua bela porta adornada com o escudo da águia bicéfala dos Habsburgo e contemplar outro período da fascinante história desta cidade.

Esta instituição está no coração de cada um dos habitantes de Breslávia, já que a cidade ficou com um panorama desolador após o fim da Segunda Guerra Mundial: destruída em 75% e vazia após o êxodo alemão. Neste ponto, a chegada dos novos habitantes de Leópolis, com sua cultura e seus estudantes, foi essencial para reconstruir a Universidade de Breslávia e criar um novo espírito após o vazio da guerra.

O onipresente Odra

Em frente à universidade pode-se ver a estátua de um esgrimista, com um florete na mão. A lenda diz que um estudante foi quem a criou, para pagar suas dívidas de jogo. O esgrimista se ergue sobre uma fonte da qual emergem os rostos de quatro gárgulas, os professores mais odiados da universidade, dizem os alunos em tom de brincadeira.

Continuando com o passeio, pode-se admirar o rio Odra, sempre onipresente, já que Breslávia repoua sobre 12 ilhas, unidas por mais de cem pontes. Alguns chamam a cidade de Veneza da Polônia.

Uma das mais populares é a de Ostrow Tumski, a ilha da Catedral, onde se encontram a colegiata da Santa Cruz e a catedral gótica de São João Batista, o templo maior de Breslávia, construído no século XII, embora reconstruído, como a maioria dos prédios históricos da cidade, após a Segunda Guerra Mundial.

Para se ter acesso a esta ilha deve-se atravessar uma ponte de ferro modernista, que hoje é o local onde os namorados prendem cadeados com mensagens, como se faz em Paris. A ilha é especialmente bonita à noite, já que é iluminada com postes de luz de gás. Com um pouco de sorte, e se chega ao cair a tarde, o visitante poderá observar como um funcionário acende as lâmpadas.

A ilha se confunde com as origens de Breslávia, que remontam aos primeiros habitantes da tribo eslava dos slezanie, que viviam nas pequenas ilhas do Odra.

Perto do ano 1000, Mieszko I da Polônia conquistou a cidade e, pouco depois, se fundou o primeiro episcopado. Posteriormente a cidade passou a ser capital do ducado dos Piast, vinculado à casa reinante na Polônia, e em 1241 foi arrasada pelos mongóis, ao que seguiu uma intensa colonização germânica por causa da pouca presença polonesa.

Durante os séculos XIV e XV, as lutas entre Polônia e Boêmia fizeram com que a cidade passasse ao controle boêmio e, portanto, se englobasse nas posses do Sacro Império Romano-Germânico e, posteriormente, do império Austro-húngaro. Em meados de século XVIII, Federico, o Grande da Prússia tomou a região da Áustria.

Hala Ludowa, Patrimônio da Humanidade

Retornando pela ponte dos cadeados pode-se fazer uma parada no Hala Targowa, um posto de abastecimento, de construção alemã, onde se encontra produtos típicos.

Para os amantes da arte, é recomendável uma visita à pinacoteca do Museu Nacional (Muzeum Narodowe), mas se alguém quer ver algo diferente e bastante local, então deve ir até Panorama Raclawicka, uma enorme pintura de 1.710 m², obra de Jan Styka e Wojciech Kozak, que recria em 360 graus a batalha de Raigolawice, na qual os poloneses ganharam do Exército russo em 1794.

Inicialmente ficava em Leópolis, mas a modificação de fronteiras fez com que acabasse em Breslávia. Os soviéticos não gostavam nada dela e tentaram ocultá-la em várias ocasiões.

Perto do prédio onde a obra está exposta fica o monumento que lembra os mortos em Katyn, um dos episódios mais tristes da história moderna polonesa, e um momento para refletir, sobretudo, o que este país sofreu.

O parque Szczytnicki é uma visita obrigatória no verão, mas também no inverno, quando com sorte será encontrado coberto de neve, gelado, com uma paisagem desoladora de conto de fadas.

Neste parque fica um jardim japonês (aberto só na primavera e verão), e um prédio que vai agradar o turista se interessa por arquitetura: o Hala Ludowa ou Hala Stulecia, um grande auditório em torno de uma imensa cúpula, obra do arquiteto alemão Max Berg em 1913, e bom exemplo da arquitetura modernista do século XX. Outra herança do passado germânico de Breslávia.

Este edifício foi erguido para comemorar o centenário da batalha de Leipzig contra as tropas de Napoleão, e hoje é Patrimônio da Humanidade da Unesco.

Há muito para se ver em Breslávia, especialmente neste ano de 2016, quando a cidade é Capital Europeia da Cultura (título que compartilha com a espanhola San Sebastián).

A cidade tem um espírito artístico e alternativo, aqui existem amantes do jazz, das artes gráficas e da escultura. A isso se soma o ambiente estudantil (150 mil estudantes de uma população de 630 mil habitantes), o que faz com que a noite seja espetacular.

Um lugar recomendável para se fartar da cultura e da essência local, especialmente de noite, no antigo bairro judaico, na rua Wlodkowica e em seus arredores, onde com certeza encontrará a única sinagoga que sobreviveu.

Além de sua arte e cultura, a cidade é hoje um centro econômico pujante, e abriga multinacionais como Google, IBM e Hewlett Packard, o que faz com que jovens de diferentes nacionalidades a tenham escolhido para trabalhar e desfrutar de sua boa localização, a três ou quatro horas de trem de Praga, Berlim e Varsóvia.

Catedral de San Juan Bautista de la ciudad de Breslavia, Polonia. EFE/Maciej Kulczynski

EFE/Maciej Kulczynski 

E se o visitante viaja com crianças ou simplesmente gosta, duas propostas: o zoológico de Breslávia é o maior da Polônia, ao que se soma o aquário da cidade (Afrikarium), inaugurado recentemente e uma agradável surpresa, se for levado em conta que se está muito longe do mar.

Para terminar, uma curiosidade que faz o turista sorrir: a Breslávia também é chamada de cidade dos gnomos, que aqui são símbolos do movimento Alternativa Laranja, iniciativa de resistência contra o regime comunista na década de 80.

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Turismo TV <p>Bolso con estampados típicos españoles. Foto: Grupo LK</p>
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