PERU AMAZÔNIA

Beleza das borboletas encontra lar na Amazônia peruana

De acordo com os cálculos da bióloga Gudrun Sperrer, no Peru há entre 5 mil e 6 mil espécies diferentes de borboletas, das mais de 25 mil que existem no planeta.

  • EFE/ Ernesto Arias
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  • EFE/ Ernesto Arias

Divulgar a beleza das borboletas e protegê-las através da educação é a missão à qual a austríaca Gudrun Sperrer se dedica há quase 20 anos no centro “Pilpintuwasi”, a “Casa das Borboletas”, localizado no coração da Amazônia peruana e que faz jus ao seu nome.

O “Pilpintuwasi” fica no povoado de Padre Cocha, perto da cidade de Iquitos e da confluência do rio Nanay com o poderoso Amazonas, um local dedicado de corpo e alma à proteção da natureza e à criação e ao estudo dos lepidópteros, que têm muitas de suas espécies em perigo principalmente devido à “ignorância” dos seres humanos.

Bióloga autodidata, Gudrun Sperrer chegou ao Peru há 35 anos e passou a maior parte desse tempo dedicada a uma paixão pela criação de borboletas, que começou com uma ideia comercial (a venda de pupas a museus, zoológicos e colecionadores de todo o mundo) e acabou despertando uma vontade de conhecer e proteger estes animais.

“As borboletas no mundo todo estão em perigo pelo desmatamento e, sobretudo, pela ignorância e o desconhecimento dos seus ciclos de vida e de suas plantas hospedeiras. As pessoas não sabem que cada espécie de borboleta só põe ovos em um tipo específico de planta. Ao eliminar plantas sem saber, eliminam também as possibilidades de espécies inteiras se reproduzirem”, explicou Gudrun à Agência Efe.

Como exemplo, a bióloga citou o caso da Áustria, onde a erradicação das urtigas quase causou levou a borboleta “olho de pavão” à extinção, pois não se sabia que essa era a planta hospedeira dessa espécie.

De acordo com seus cálculos, no Peru há entre 5 mil e 6 mil espécies diferentes de borboletas, das mais de 25 mil que existem no planeta, e não conhecemos “nem 1%” de suas plantas hospedeiras.

Em sua cruzada para conhecer e reproduzir borboletas, a criadora construiu de forma quase artesanal o centro “Pilpintuwasi”, que também serve como local de acolhimento para animais maltratados ou vítimas de tráfico ilegal, onde identificou plantas hospedeiras de dezenas de espécies, que voam e se reproduzem sob o olhar fascinado dos turistas, que com suas visitas sustentam economicamente o empreendimento.

Lá, protegidas de possíveis depredadores e parasitas por uma rede, borboletas de o todo tipo exibem suas fantásticas cores e se reproduzem em suas plantas específicas, das quais Gudrun e seus colaboradores recolhem os ovos para incubá-los e desenvolver as larvas.

“Para conhecer as plantas hospedeiras, ou seguíamos a borboleta e víamos em que planta colocavam seus ovos, algo complicado porque nunca se sabe o sexo do espécimen; ou procurávamos lagartas que estivessem sobre uma planta e as alimentávamos até ver no que se transformavam. Se se transformavam em borboleta, confiávamos que essa era a planta onde ia pôr seus ovos”, explicou.

Na “maternidade” do centro, as lagartas recém-nascidas são alimentadas e criadas até formarem a pupa, quando começam sua transformação em borboletas, um processo que pode levar de poucos dias até vários meses dependendo da espécie.

“A fase de crisálida é uma coisa extraordinária. A lagarta se transforma completamente, como se dissolvesse seu corpo e criasse algo diferente, com diferentes órgãos, mas com a mesma matéria. E, no entanto, há estudos que, usando o olfato do inseto, constataram que a borboleta tem memórias do seu passado como lagarta. É algo fascinante”, acrescentou.

Explicar nos colégios da região esse complexo ciclo de vida das borboletas é um dos trabalhos “mais importantes” para expandir o conhecimento sobre esses animais e protegê-los de preconceitos que os põem em perigo.

“É preciso fazer as pessoas perderem o medo e pensarem que as lagartas são venenosas, ou muito feias, e ensinar que uma lagarta é uma futura borboleta. Que não são agressivas e que a imensa maioria não é tóxica”, apontou Gudrun.

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Publicado em Colunas

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