ARTES PLÁSTICAS

Artista brasileiro mistura sons e esculturas em exposição

Em uma galeria do tradicional bairro paulistano de Pinheiros, Siri espera pela entrevista agendada tocando seus vários instrumentos com um aparelho que permite que a música prossiga em uma gravação contínua enquanto ele vai encaixando cada timbre um sobre o outro.

Foto: Divulgação

O percussionista, multi-instrumentista, artista plástico e escultor Siri, que prefere não ser definido com nenhum outro adjetivo que não o de “artista”, apresenta em São Paulo suas obras feitas especialmente para a cidade  e apresentadas na exposição Oroboro, que celebra o renascimento “artístico” recorrente na vida do músico.

Na galeria Mezanino, no tradicional bairro paulistano de Pinheiros, Siri esperava pela entrevista agendada com o Efetur Viagens tocando seus vários instrumentos com um pedal (que permite que a música prossiga em uma gravação contínua, enquanto ele vai encaixando cada timbre – um sobre o outro).

Da mesma forma que ele se apresenta, Siri não ensaia ou grava suas canções, cada dia reproduz uma coisa diferente conforme sua inspiração se solta. Rindo, explica à Efe que não gosta de se programar, “tenho pena de quem programa, é como pegar excursão para viajar”.

Sua exposição que se mantém em cartaz até o dia 12 de setembro na cidade “tem uma cara paulistana”, explica o artista, “esse recomeço me interessa muito, esse nascer das cinzas sempre, e eu percebi que nunca abandonei essa minha trajetória, nem de onde venho, que é exatamente da música” acrescentou Siri.

“Em determinado momento eu pensei que ia me afastar por completo da música, quando eu comecei com as artes plásticas”

“Em determinado momento eu pensei que ia me afastar por completo da música, quando eu comecei com as artes plásticas” explica Siri, mas admite que sem mesmo perceber já estava “fazendo uma música diferente, misturada com artes plásticas”.

Sobre o passado como percussionista, Siri conta que esse rótulo já o incomodou, mas que hoje ele o vê com bons olhos, “é claro que eu sou um percussionista, também, né?”, brinca o artista.

Hoje, o músico chega a ser conhecido até mesmo como escultor, devido à natureza de suas obras, Siri conta que teve uma enorme surpresa quando foi convidado a dar aulas de escultura no Parque Lage, no Rio de Janeiro, afinal como poderia ensinar “se não era escultor?”.

“Eu fui para a música por acaso. Foi a grande oportunidade de fazer algo relacionado com a arte”, disse Siri explicando que sua paixão desde jovem eram “as formas e desenhos dos instrumentos musicais e das capas dos discos, que comprava pela arte e ganhava a música como um bônus”.

“Na época as capas de heavy metal eram as mais bem desenhadas, eu garoto achava aquilo muito interessante, então acabei montando minha própria bateria de lata”, explica o artista que depois se dedicou a chegar à condição de multi-instrumentista.

Foto: Divulgação

Oroboro?

O nome Oroboro vem do grego e é um símbolo representado por uma cobra ou dragão que morde a própria cauda, e como explica o artista,  é um palíndromo – palavra que pode ser lida da esquerda para direita ou vice-versa, funcionando assim como a maioria de suas obras.

Como músico, Siri tocou com diversos artistas brasileiros, gravou três álbuns solo e está em processo de lançamento do quarto, inspirado nas canções que desenvolveu em seu retiro artístico à Paris, intitulado Je m’appelle Siri (eu me chamo Siri, em francês).

Ressaltando sempre que tem uma grande paixão pelo estudo da música, Siri explica que estava em um ponto na sua carreira em que havia tocado com “todo mundo que queria”, o que lhe permitiu observar que “a vida era muito mais que aquilo”.

Na exposição é possível observar a beleza dos instrumentos que Siri tanto destaca, acompanhada de suas transformações que “dão um ponto de equilíbrio” para eles, processo que o artista afirma ser natural, já que o encaixe “já existe e eu apenas soldo”.

Em 2007, Siri recebeu o Prêmio da Música Brasileira.

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Publicado em Cultura

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