A 50 dias da Copa, hotéis de São Paulo ainda têm 76% de quartos vazios

A 50 dias da Copa do Mundo, a cidade-sede do jogo de abertura da competição corre o risco de uma subutilização de seu potencial hoteleiro durante os dias de jogos, o que representaria um potencial prejuízo para o setor durante o evento.

EFE/Sebastião Moreira.

A 50 dias da Copa do Mundo, a cidade-sede do jogo de abertura da competição corre o risco de uma subutilização de seu potencial hoteleiro durante os dias de jogos, o que representaria um potencial prejuízo para o setor durante o evento.

De acordo com dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), que reúne 71% de todos quartos de hotéis operados por empresas de rede (como Accor, Meliã, Othon, etc), apenas 24% de todas estas unidades foram vendidas na capital paulista.

O número contrasta, por exemplo, com os 87% de ocupação no Rio de Janeiro.

Os dados foram apresentados durante a World Travel Market Latin America, que reúne empresários e profissionais de turismo em São Paulo.

De acordo com a diretora executiva da FOHB, Flávia Matos, a situação pode ser explicada pela alta capacidade hoteleira da cidade de São Paulo que, segundo ela, “pode acomodar muito mais do que uma Copa do Mundo”.

Ela lembra que existe hoje na capital uma ocupação motivada principalmente pelo turismo de negócios, que é o que movimenta o setor em São Paulo.

“Tanto que quando tem uma Copa do Mundo você vê como é que fica a situação da taxa de ocupação na cidade”, ressaltou.

Em fevereiro, a presidente da Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), Viviânne Martins, declarou à Agência Efe que a Copa do Mundo prejudicaria as viagens corporativas no Brasil.

“Um evento como a Copa faz com que os clientes corporativos façam blackout de pelo menos 70 dias dentro de suas empresas, fazendo com que o número de viagens diminua”, afirmou Viviânne ao destacar a necessidade do setor de focar em novos mercados neste ano.

Em uma escala menos crítica, cidades tipicamente turísticas como Salvador e Curitiba também sofrem com baixas taxas de ocupação, com 57% e 44% respectivamente, durante os dias de jogos.

“A gente entendeu (com o levantamento) que o que faz com que as pessoas fiquem numa cidade é primeiro a atratividade dos jogos associado à atratividade da cidade e o acesso facilitado àquela cidade”, explicou a diretora executiva da FOHB.

Diante dessa situação, a FOHB teme sofrer com prejuízos em plena Copa do Mundo em locais que não conseguiram ter jogos tão populares como as quartas de finais ou que não são tão atraentes para o turista estrangeiro como o Rio de Janeiro.

“A gente ainda tem tempo para tentar comercializar e montar roteiros para ver se a gente ainda consegue reverter essa taxa de ocupação que se revela muito mais baixa em relação ao mesmo período de anos anteriores”, disse Flávia.

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